Um membro da comissão executiva do Banco Central Europeu, afirmou esta terça-feira que a zona euro já não está «em modo de emergência», mas considerou que a recuperação «é débil».

Num colóquio em Frankfurt, Benoit Coeuré afirmou que a «recuperação está aí, mas ainda é débil» e considerou que «a crise não terminou».

Coeuré defendeu o pacote de medidas que o BCE aprovou na semana passada por unanimidade e disse que a instituição tem atuado no âmbito do seu mandato.

As afirmações foram feitas depois de o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, ter afirmado que a decisão do BCE foi «adequada» tendo em conta a inflação muito baixa, mas ter avisado também que a política monetária não pode resolver os problemas de base da crise do endividamento.

Na passada quinta-feira, o BCE cortou a taxa de juro diretora para o novo mínimo histórico de 0,15% e colocou em valor negativo (-0,10%) a taxa de depósitos, sendo esta última uma medida inédita num banco central de grande dimensão.

A instituição presidida por Mario Draghi anunciou ainda dois empréstimos de longo prazo aos bancos da zona euro para incentivar o crédito e estimular a economia.

Schäuble considerou que as taxas de juro devem permanecer num nível tão baixo só o tempo necessário.

A inflação na zona euro caiu em maio duas décimas em relação ao mês anterior, ficando em 0,5%, quando o BCE defende uma inflação ligeiramente abaixo de 2%.

Um outro membro da comissão executiva do BCE, Yves Mersch, afastou, no entanto, o cenário de deflação na zona euro.

Mersch, que falava num fórum em Bruxelas, defendeu igualmente as medidas adotadas pelo BCE, em particular a redução das taxas de juro decidida após «uma análise» da situação.