O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vitor Constâncio, assegurou esta sexta-feira em Madrid que «as sociedades esperam demasiado dos bancos centrais», e que estes «não podem fazer tudo».

Constâncio fez esta consideração durante a sua intervenção numa conferência organizada pela pós-graduação em Banca e Regulação Financeira da Universidade de Navarra, ao responder a uma pergunta sobre se a união bancária poderia ajudar a melhorar a evolução do crédito.

Neste sentido, explicou que a união bancária «não é suficiente» e acrescentou que grande parte do que se está a passar com a evolução do crédito deve-se à falta de procura e investimento.

Se bem que a política monetária possa contribuir para mudar esta situação, Constâncio assegurou que «hoje em dia as sociedades esperam demasiado dos bancos centrais», mas que estes «não podem fazer tudo».

Para o dirigente do BCE, «o que está em jogo é a necessidade de outras políticas gerais», afirmando mesmo que a instituição de que é vice-presidente «não tem uma varinha mágica para resolver os problemas».

A este respeito, adiantou que a Europa necessita aumentar a produtividade, o que depende da realização de outras políticas, como na ciência e tecnologia, para incentivar as empresas.

Esta evolução, realçou, «não depende da política monetária», continuando: «Não esperem que os bancos centrais possam resolver todos os problemas».

Na sua intervenção, Constâncio considerou porém que a União Europeia contribuiu em parte para a recuperação da economia e da confiança, bem como para a melhoria do crédito, apesar de tal melhoria ser insuficiente e não ser imediata.

«A união bancária é a reforma mais importante que se realizou na Europa depois do euro», expressou Constâncio, que disse ainda que depois da revisão que o organismo vai fazer à banca europeia vai-se produzir um processo de reestruturação do setor e que mais fusões e aquisições vão ajudar as instituições a ganhar eficiência.

Antecipando-se a esta avaliação, os bancos europeus aumentaram o seu capital e as suas provisões e estão a desendividar-se.

Em resultado desta evolução, a confiança no euro começou a aumentar, disse Constâncio, que admitiu porém que ainda tem de subir mais.

Para tal, avançou, a avaliação que o BCE vai fazer motivará uma ação corretiva que ajudará a resolver as dúvidas que persistam.

A reforçar este cenário, acrescentou, a recente união bancária também vai contribuir para a melhoria da economia e a recuperação da confiança.

Apesar disso, insistiu que para completar a união bancária há mudanças «urgentes» de regulação que a Comissão europeia tem de completar como a lei de empresas, de falências ou de produtos financeiros.

Acentuou também que para a união bancária ser «estável e eficiente», a Europa deve ter uma união política e monetária.