O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou este sábado em Sintra que, se os países fizerem uma reforma das pensões e mudarem de ideias todos os anos, essa reforma não vai produzir ganhos.

Mario Draghi, que está a falar no último painel do II Fórum do BCE, que decorre desde quinta-feira em Sintra, defendeu que “há uma certa falta de políticas estruturais” e reiterou a importância de estas reformas serem bem desenhadas e projetadas ao longo do tempo.

“Se um país reforma o sistema de pensões e depois muda de ideias todos os anos, então não há benefícios de curto prazo nenhuns”, afirmou Draghi, defendendo que não se trata de “dizer às pessoas que estão no Governo o que fazer, mas mais de um apelo à ação”.


Isto porque – acrescentou –, “não vai haver melhor momento para fazer reformas do que agora”, num contexto em que o BCE avançou com medidas não convencionais de política monetária, que os preços do petróleo estão em mínimos e os custos de financiamento dos países estão baixos.

Para o presidente do BCE, os bancos centrais devem falar da necessidade de os países fazerem reformas estruturais, uma vez que estas, apesar de estarem fora do mandato dos bancos centrais, são importantes para que estas instituições possam cumprir o seu mandato.

Já Stanley Fischer, vice-governador da Reserva Federal dos Estados Unidos da América e outro dos intervenientes no painel, defendeu que os bancos centrais podem e devem falar das políticas macroeconómicas, sem com isso darem indicações sobre como devem os governos alocar os seus recursos.

A intervenção do responsável da Fed levou Mário Draghi a referir que a diferença entre a sua opinião e a de Stanley Fischer resulta do facto de a parte estrutural do fraco crescimento na Europa ser muito maior do que nos EUA, esclarecendo que as recomendações do BCE são apelos à ação e não são intrusivas.

Também presente na discussão está o presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, que defendeu a importância das reformas estruturais para aumentar o produto potencial, reiterando que a política monetária e o controlo da inflação “permitem ajudar a aplicar as reformas estruturais de uma forma menos penosa”, cita a Lusa.