“A incerteza política faz parte da democracia”, afirmou o presidente do Banco Central Europeu esta quinta-feira, quando questionado por um jornalista sobre a situação política em Portugal (e Espanha).

Mario Drahi argumentou que não pode comentar questões políticas, mas ainda assim, foi dizendo que que "a incerteza é má para o consumo e o investimento".

O impasse político numa altura em que passam duas semanas sobre as eleições não tem tido um grande reflexo nos mercados. Aliás, Portugal voltou a financiar-se esta quarta-feira com juros baixos, mesmo negativos no prazo de três meses.

Mas os avisos não surgem só de Portugal. O ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso considerou esta quarta-feira que Portugal precisa de um Governo composto por forças políticas "coerentes e consistentes", o que não existiria com partidos que se opõem ao projeto europeu.

Também na vizinha Espanha desdobram-se as vozes contra e a favor de uma coligação de esquerda.

Na mesma conferência de imprensa, Draghi revelou que o Banco Central Europeu vai rever o programa de estímulos na reunião de dezembro. Entretanto, continua o programa mensal de compras de ativos, no valor de 60 mil milhões de euros, que durará, pelo menos, até ao final de setembro de 2016.

O BCE anunciou ainda que decidiu  manter a taxa de juro diretora em 0,05%, um mínimo histórico que tem permanecido desde setembro de 2014. Deixou também inalteradas as taxas de juro aplicáveis aos depósitos em -0,20% e à facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,30%.