O Banco Central Europeu (BCE) recomendou ao Governo que a Caixa Geral de Depósitos tivesse um máximo de 15 administradores, não houvesse acumulação das funções de líder executivo e de "chairman" na mesma pessoa e que fosse assegurada a continuidade na gestão, apurou o Negócios. No entanto, o supervisor europeu prepara-se para aprovar a nomeação de um novo conselho de administração que não cumpre nenhuma destas diretrizes.

As recomendações do BCE têm sido transmitidas em cartas enviadas ao Ministro das Finanças nos últimos meses, na sequência de uma inspeção ao modelo de governação da Caixa. Uma ação de supervisão que levou mesmo os técnicos do BCE a participarem, como observadores, em reuniões da administração ainda liderada por José de Matos.

A última missiva do supervisor europeu a Mário Centeno data de 8 de Junho e insiste, segundo noticia o Negócios, nas recomendações já anteriormente expressas relativamente aos princípios a que deve obedecer a nova equipa de gestão da CGD. No entanto, fonte oficial do Ministério das Finanças garante que "não está" prevista qualquer alteração ao novo modelo de governação já anunciado para o banco público e que as "negociações com o BCE prosseguem".

Assim, o novo conselho da Caixa terá 19 elementos, mais quatro do que o recomendado pelo supervisor europeu. Uma dimensão que, ainda na última quinta-feira, Centeno justificava com "o que é necessário para poderem funcionar as comissões de controlo da gestão". Além disso, o novo líder, António Domingues, acumulará a presidência executiva e não executiva, uma situação que, como prevê a diretiva europeia sobre os requisitos de capital (CRD IV), pode ser aceite desde que aprovada pelas "autoridades competentes". E não ficará nenhum membro, executivo ou não, da atual equipa.