
O Banco Central Europeu (BCE) deverá manter inalterada a taxa de juro diretora em um por cento pelo quinto mês consecutivo, consideram os economistas ouvidos esta quinta-feira pela Lusa, numa altura de fraco crescimento económico na zona euro.
O conselho de governadores do BCE reúne-se hoje, em Frankfurt, na Alemanha. No final do encontro, deverá ser anunciada a manutenção de todas as taxas de referência da zona euro, incluindo da taxa diretora em um por cento, valor para que esta desceu em dezembro de 2011.
«A taxa deve manter-se inalterada em um por cento pela fragilidade da atividade económica. Por um lado, porque a economia está a crescer a um ritmo mais fraco e, por outro lado, pela incerteza que ainda se mantém nos mercados financeiros», disse à Lusa a economista do BPI, Teresa Gil Pinheiro, acrescentando que «o BCE deverá querer aliviar o financiamento às empresas e a particulares», não mexendo na taxa de referência.
Também o analista da Informação de Mercados Financeiros (IMF) Ricardo Marques afirmou não haver condições para que o Banco Central mexa nas taxas de juro, quer para subir, quer para descer.
«Penso que o BCE não vê qualquer vantagem em subir a taxa, porque não há clima económico. Já em descer, também não faz sentido, porque as Euribor já estão abaixo de um por cento», considerou Ricardo Marques.
Destacou ainda que numa altura em que a inflação se mantém acima dos 2 por cento, os estímulos dados pelo BCE têm sido insuficientes, pelo que a instituição liderada por Mário Draghi em nada beneficiaria se mexesse na taxa diretora.
Em abril, na última reunião do BCE, a instituição manteve inalterada a taxa de juro no mínimo histórico de um por cento pelo quarto mês consecutivo e manteve todas as taxas de juro no nível decidido na reunião de dezembro, altura em que sofreu um corte de 25 pontos base em toda a linha, algo que já havia acontecido em novembro.
Assim, a taxa de juro de referência (para as operações principais de refinanciamento) continua em um por cento, a facilidade permanente de cedência de liquidez com uma taxa de 1,75 por cento e a facilidade permanente de depósito em 0,25 por cento.