
Os chefes de Governo espanhol e italiano consideraram esta quinta-feira «positivas» as declarações do presidente do BCE sobre a compra de dívida soberana. A maior economia europeia, a Alemanha, destaca do discurso de Mario Draghi a importância das reformas estruturais. Já França está «atenta» à reação dos mercados, que hoje afundaram na sequência da falta de medidas imediatas por parte do BCE.
Primeiro, Mariano Rajoy e Mario Monti. Os líderes de Espanha e Itália foram questionados numa conferência de imprensa conjunta sobre as declarações de Draghi, que afirmou hoje que o BCE está preparado para comprar dívida soberana, mas que, segundo a imprensa espanhola, essa medida está condicionada a um eventual pedido de ajuda de Espanha e Itália ao fundo de resgate.
O líder espanhol foi o mais renitente a fazer qualquer referência ao tema, escusando-se a confirmar se Espanha vai ou não recorrer ao resgate, tendo Monti recordado que já no passado afirmou que, se for necessário, Itália recorrerá a esse instrumento europeu.
Ainda assim, insistiu que «ajudas como um bailout ou salvação de um país» não serão utilizadas no caso de Itália que está disposta a estudar outras medidas para «evitar risco de dívidas excessivas que custam caro», cita a Lusa.
Sem fazer qualquer referência à questão do resgate, Rajoy afirmou encontrar «aspetos muito positivos» no comunicado do BCE, especialmente o reconhecimento de que «os riscos de dívida relacionados com os temores sobre a irreversibilidade do euro não tem fundamento».
«É muito importante quando diz que, dentro da independência que lhe corresponde, o BCE pode levar a cabo operações diretas no mercado secundário do tamanho adequado para alcançar o seu objetivo. E até da adoção de medidas não convencionais de política macroeconómico».
E continuou: «O que quero dizer é que desde Espanha continuaremos a trabalhar para cumprir os nossos compromissos com o défice público, para reduzir a divida publica. Continuaremos com reformas estruturais, sendo conscientes de que temos que tomar medidas que são duras, não são agradáveis mas que são as essenciais para criar as bases».
Também Monti considerou que a declaração de Draghi reforça a postura do BCE, mostrando «continuidade» na sua política.
«Não sei se o governo italiano solicitará a ativação deste instrumento. Devermos examinar bem as modalidades. Se o necessitamos ou não. Só estou convencido de uma coisa. Que o governo continuará a fazer o que tem que fazer de forma oportuna, rápida e adequada o que lhe pede Itália, o que lhe pede Europa». «Se Itália tiver que recorrer a este mecanismo fá-lo-emos».
O vice-chanceler alemão e ministro da economia, Philipp Rösler, disse, por sua vez, que está «completamente de acordo com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, de que uma política decidida de consolidação orçamental e de reformas a nível nacional é prioritária e indispensável para acalmar os mercados».
«A política monetária não pode substituir os esforços nacionais na política económica e financeira, e por isso não está em condições de ser uma solução duradoura para a crise».
Por isso,«foi importante que Draghi tenha confirmado a posição do governo alemão de que não é possível o refinanciamento do fundo de resgate europeu» através do BCE, o que equivaleria, na prática, a atribuir uma licença bancária como a dos bancos comerciais ao FEEF ou ao seu sucedâneo, o MEE.
Já o presidente francês, François Hollande, garantiu que o seu governo estará «atento» à reação dos mercados.
«Considero que a decisão do BCE [de comprar dívida] é importante, vem confirmar o que decidimos no final de junho na medida em que permite à instituição intervir sempre que seja necessário».
O FMI também aplaudiu esta intenção.
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