O presidente da Comissão Europeia defende a necessidade de os Estados-membros, sobretudo aqueles que atravessam reformas económicas profundas, como Portugal, destinarem parte dos fundos comunitários para combater os custos sociais da crise, que fez aumentar as disparidades na Europa.

Falando esta quinta-feira numa conferência em Bruxelas José Manuel Durão Barroso disse que «a crise levou a riscos crescentes de pobreza e exclusão social e do mercado de trabalho em vários Estados-membros, e as disparidades entre os Estados-membros estão também a aumentar».

«Tal ameaça não só as perspetivas de competitividade da Europa num mundo globalizado, como também ameaça fazer espalhar consequências sociais e económicas negativas, já que não apenas os indivíduos, mas também a sociedade como um todo carrega os custos económicos e sociais de desemprego, pobreza e exclusão social», sintetizou.

«Muitas das políticas necessárias só podem ser desenvolvidas e implementadas ao nível nacional. Não podemos ser nós a fazer o trabalho dos Estados-membros. A responsabilidade permanece deles, tal como está claramente estipulado nos tratados. Mas podemos e devemos complementar (esses esforços) com responsabilidade europeia e solidariedade europeia. E, aí, julgo que podemos e devemos fazer mais», disse.

Neste sentido, sublinhou, deve ser feito mais no sentido de uma utilização efetiva dos fundos europeus «para aliviar as dificuldades sociais nos países que estão a atravessar profundas reformas económicas».

«Para o próximo período financeiro, a Comissão propôs que os Estados-membros destinem pelo menos 20% dos seus envelopes do Fundo Social Europeu para promover a inclusão social e combater a pobreza», recordou, acrescentando que o novo programa da UE para a Inovação Social e Emprego, o Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização e o Fundo para a Ajuda Europeia aos Mais Carenciados «são outros instrumentos importantes que podem ajudar».