O Bankinter, que comprou grande parte da operação do Barclays em Portugal, quer duplicar a quota para 10% no mercado português e que este passe a representar 15% das receitas, crescendo sobretudo no crédito a empresas e habitação.

Estas informações foram avançadas, esta quinta-feira, num encontro com jornalistas pela presidente executiva do Bankinter, Maria Dolores Dancausa, que afirmou que o Bankinter Portugal representa cerca de 8% das receitas do conjunto do grupo e que espera que "passe a representar 15% do total de receitas num período razoável", que estimou de três anos.

Quanto à quota de mercado em Portugal, referiu que é atualmente de 5% e que espera que cresça para "chegar a 10%".

O banco espanhol comprou, por 86 milhões de euros, os negócios de banca de particulares, banca privada e parte da banca corporativa que o Barclays detinha em Portugal. O negócio também incluiu os seguros de vida e pensões em Portugal, com a Bankinter Seguros de Vida (empresa controlada em 50% pelo Bankinter e pela Mapfre) a adquirir a operação em Portugal do Barclays, por 75 milhões de euros.

O presidente do Bankinter, Pedro Guerrero, disse que a entrada do banco em Portugal foi muito bem recebida e a presidente executiva considerou que a discussão sobre a espanholização da banca portuguesa é "artificial".

Durante os contactos com as autoridades, com clientes, tivemos uma receção muito positiva, não podia ser melhor, e ficamos muito contentes", afirmou num encontro com jornalistas o presidente do banco espanhol, que comprou recentemente grande parte da operação do Barclays em Portugal.

O responsável tinha sido questionado sobre o debate que aconteceu há algumas semanas sobre o risco de o sistema financeiro português ser dominado por entidades espanholas, tendo dito que não faz sentido esse receio, até porque na União Europeia há "cada vez mais um mercado bancário único com supervisor único".

Já para a presidente executiva do Bankinter, Maria Dolores Dancausa, "a polémica sobre a presença de bancos espanhóis é um bocado artificial" e disse que, da parte do banco que dirige, não estão previstas mais aquisições.

Demoramos 50 anos a fazer uma operação, não será em pouco tempo que faremos outras", afirmou.

Sobre a opção da expansão para Portugal, Pedro Guerrero considerou o mercado português um destino "natural", uma vez que é mais fácil a expansão para um país próximo, e considerou que a operação do Barclays no mercado português "encaixava muito bem nas caraterísticas do Bankinter", em perfil de negócio e localização de agências.

Estamos convencidos que vamos fazer um bom negócio e vamos trazer valor à economia portuguesa", afirmou o presidente do banco.