A eurodeputada socialista Elisa Ferreira considerou esta terça-feira que o Novo Banco deveria ser vendido a um preço adequado, de modo a que seja possível fazer o reembolso previsto no plano inicial.

Idealmente, seria importante que ele [o Novo Banco] fosse vendido a um preço adequado de modo a fazer o reembolso de acordo com o plano inicial […], veremos quais são as condições que, na prática, se materializam e far-se-á a gestão", afirmou a eurodeputada, no parlamento.

Elisa Ferreira, que está a ser ouvida esta tarde na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, no âmbito da proposta de designação para o Conselho de Administração do Banco de Portugal, respondia a uma questão colocada pelos deputados do Bloco de Esquerda, Paulino Ascensão, e do PCP, Paulo Sá, sobre o futuro do Novo Banco.

O Novo Banco foi criado no início de agosto de 2014 na sequência da resolução do Banco Espírito Santo (BES) como banco de transição, detido na totalidade pelo Fundo de Resolução bancário.

No âmbito da reestruturação acordada entre a Comissão Europeia as autoridades portuguesas, a instituição tem de reduzir em 1.000 o número de efetivos até ao final do ano e de cortar os custos operativos em 150 milhões de euros.

Banif é "um caso muito específico"

Elisa Ferreira, pronunciou-se igualmente sobre o Banif, na sequência das questões levantadas pelas várias bancadas sobre eventuais falhas de supervisão. Para a eurodeputada, trata-se de "um caso muito específico" e caberá à Comissão de Inquérito apurar responsabilidades.

Se teve um resultado enormemente penalizador para os contribuintes, cidadãos ou Estado, se era possível fazer diferente, só os poderes da Comissão Inquérito poderão discernir", considerou.

Elisa Ferreira vai para vice-governadora do Banco de Portugal e que Máximo dos Santos, atualmente presidente do ‘banco mau' BES, vai também integrar a administração do regulador e supervisor bancário.

Segundo a lei orgânica do Banco de Portugal, o Conselho de Administração do regulador e supervisor bancário é composto pelo governador, por um ou dois vice-governadores e por três a cinco administradores. Cabe ao Governo, através do Ministério das Finanças, a responsabilidade de nomear os administradores do Banco de Portugal, que tem que ser aprovada em Conselho de Ministros e na Assembleia da República.

Atualmente, e de depois da renúncia em março de António Varela ao cargo de administrador em desacordo com a política da instituição, o Conselho de Administração do Banco de Portugal é constituído pelo governador Carlos Costa, auxiliado pelos vice-governadores Pedro Duarte Neves e José Berberan Ramalho. Como administradores há apenas dois e são João Amaral Tomaz e Hélder Rosalino.