O vice-presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Nuno Fernandes Thomaz, admitiu esta sexta-feira que a resolução do Banif terá contribuído para a “grande afluência” na abertura de contas na instituição pública.

“Se dissesse que não estaria a mentir”, declarou o responsável aos jornalistas na Presidência do Governo Regional da Madeira, a Quinta Vigia, depois da assinatura de um protocolo com o executivo madeirense, quando instado a comentar se os problemas com o Banif representaram um aumento na abertura de novas contas na CGD.


De acordo com a Lusa, Nuno Fernandes Thomaz adiantou que “houve muitas contas abertas na CGD”, considerando que idêntica situação se terá registado noutros bancos.

O responsável salientou que a Caixa tem vindo a “incrementar a relação com o Governo Regional há dois anos”, apontando que “as coisas têm corrido bastante bem” e que “não foi porque houve a resolução do Banif que a Caixa decidiu agora vir assinar o protocolo”.

Escusando-se a revelar mais pormenores sobre o conteúdo do acordo, Nuno Fernandes Thomaz referiu apenas que vem “estreitar ainda mais a relação entre a Caixa Geral e a Região Autónoma da Madeira [RAM]” e “traduz a excelente relação” entre as duas instituições, decorrente do papel que o banco desempenhou “no apoio ao processo de reestruturação financeira da Madeira”.

Instado a pronunciar-se sobre a sua permanência na CGD, respondeu: “Eu estou na Caixa e até o ultimo dia em que estiver vou continuar a trabalhar da mesma forma, desde o dia em que comecei, de forma empenhada e séria”, remetendo uma posição para um momento posterior.

Por seu turno, o Secretário Regional das Finanças e Administração Pública da Madeira destacou o “papel muito importante na consolidação financeira da Madeira” desempenhado por esta instituição bancária, ao permitir soluções compatíveis com as possibilidades da região, numa altura em que esta estava descredibilizada perante os mercados.

De acordo com o governante insular, a Madeira tem até “uma dívida de gratidão” para com este banco, porque, embora tenha sido “um negócio, percebeu as limitações e que a Madeira precisava de apoio numa altura muito difícil”.

“Hoje, as contas [do arquipélago] estão muito melhores”, declarou Rui Gonçalvez, salientando que a CGD vai continuar a ser “um parceiro importante para o desenvolvimento da Madeira, quer ao nível da economia, quer no apoio aos funcionários e também ao Governo Regional, no financiamento das políticas públicas”.


O responsável mencionou que, em 2015, a Caixa “liderou o consórcio bancário que garantiu o financiamento para a RAM para 2016, os 185 milhões de euros” e que foi fechado um outro “contrato de financiamento de apoio à tesouraria, de 25 milhões de euros, em condições financeiras extraordinárias”.

O secretário regional afirmou igualmente que está “garantido o financiamento do Orçamento Regional de 2016 a 100%”, argumentando que tal é “muito importante” para assegurar aos fornecedores que a “Região vai conseguir pagar quer as despesas na área da Saúde e Educação sem atrasos” e admitiu renegociar a taxa de juro de 3,3% agora aplicada à região.