A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) anunciou esta segunda-feira que a Apollo Global Management chegou a acordo para comprar a Açoreana Seguros, originalmente do Banif.

Em comunicado, a ASF diz ter sido informada pela Apollo e pelos acionistas da companhia de seguros (a Soil e a Oitante) da celebração de um acordo de venda e capitalização da Açoreana Seguros.

“Esta operação, cuja necessidade decorreu do processo de intervenção no Banif, vai agora ser avaliada pela ASF ao abrigo do artigo 163.º do regime jurídico de acesso e exercício da atividade seguradora, bem como pelas autoridades da concorrência, prevendo-se que, a curto prazo, seja possível a sua conclusão”, refere a autoridade.

Foi assim dado mais um passo na venda da companhia de seguros, por um valor não especificado, depois da ASF ter comunicado no inicio de fevereiro os termos do pré-acordo para a venda à Apollo da Açoreana.

Em janeiro, a Apollo foi selecionada para iniciar negociações exclusivas para a compra da Açoreana, deixando de fora as outras duas concorrentes (a Caravela e a Allianz), num processo de venda que está a ser conduzido pelo Citi, debaixo da égide da ASF.

O objetivo final da Apollo será, de acordo com o Diário Económico, o de integrar a Açoreana na Tranquilidade, mantendo a marca da companhia fundada em 1892.

A proposta da Apollo não exclui rescisões, no processo de fusão, mas defende que a terem lugar será no âmbito de uma estratégia que se assume como de valorização da companhia e não da sua destruição.

A 29 de janeiro, o ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou que o processo de venda da companhia de seguros Açoreana estava em fase de conclusão e que previa a manutenção dos cerca de 700 postos de trabalho.

"O processo de venda da Açoreana está praticamente concluído. Há duas propostas em cima da mesa e a proposta que está a ser negociada, do ponto de vista da manutenção dos postos de trabalho, não tem prevista nenhuma perda de emprego", disse o ministro das Finanças na ocasião, no parlamento.

Segundo o relatório de contas de 2014 da seguradora, divulgado a 31 de dezembro, a Açoreana arrisca perder 40 milhões de euros que tinha investido em ações do Banif no âmbito da medida de resolução aplicada ao banco e que afetou os acionistas da instituição.

Em 31 de dezembro do ano passado, a Açoreana tinha 7.173.244.609 ações (mais de sete mil milhões de títulos) do Banif, ao preço médio de aquisição de 0,01 euros (um cêntimo), pelo que o valor total ascendia a 71,7 milhões de euros. Esta participação no capital do banco estava, contudo, registada no balanço por um valor inferior ao da aquisição, de 40,887 milhões de euros.

A 20 de dezembro, um domingo ao final da noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo Naviget. É nesta nova empresa que fica a Açoreana.

A Açoreana teve no primeiro semestre prejuízos de 1,5 milhões de euros (melhor do que os 3,7 milhões de prejuízo de período homólogo de 2014) e era considerada pelo Banif uma "unidade operacional descontinuada", estando para venda.