Mais de uma dezena de banqueiros norte-americanos reuniram-se na quarta-feira com o Presidente Barack Obama, a quem expressaram preocupação com a eventual falta de acordo para a subida do limite da dívida e a consequente suspensão de pagamentos.

«Devem-se discutir assuntos políticos nos fóruns políticos, mas não podemos usar como se fosse um garrote a ameaça de os EUA não cumprirem as suas obrigações [para com os credores] e não pagarem as suas dívidas», disse, em conferência de imprensa posterior à reunião, o administrador-delegado da Goldman Sachs, Lloyd Blankfein.

A reunião, organizada pelo fórum dos Serviços Financeiros, realizou-se no segundo dia de encerramento parcial do Governo Federal, devido à falta de acordo no Congresso sobre um novo orçamento, e também quando se aproxima 17 de outubro, dia em que deve ser atingido o limite máximo de endividamento público, refere a Lusa.

Sem autorização para elevar o nível de endividamento, os EUA vão entrar em suspensão de pagamentos, o que corresponde a um incumprimento.

Tanto Obama como os grandes banqueiros de Wall Street concordaram que o designado «encerramento» do Governo tem resultados «extremamente adversos», adiantou Blankfein.

O dirigente da Goldman Sachs acrescentou que há consenso sobre a necessidade de não prejudicar a atual delicada recuperação económica e que «o encerramento do Governo e, em particular, a incapacidade de aumentar o limite da dívida, provocaria isso mesmo», um grande prejuízo.

Na reunião com Obama estiveram também, entre outros, os administradores-delegados da JPMorgan, Jamie Dimon, Citigroup, Michael Corbat, Deutsche Bank, Anshu Jain, e o do Bank of America, Brian Moynihan.

A rara visita da cúpula dos bancos de Wall Street a Washington decorreu no momento em que aumenta o receio que o encerramento parcial do Governo Federal e o desacordo para elevar o teto da dívida afete seriamente o crescimento da primeira economia mundial.

O limite da dívida está nos 16,7 biliões [milhão de milhões] de dólares.

Antes de se reunirem com Obama, os banqueiros visitaram o congresso, no final do que Moynihan advertiu que não há nada mais sério do que os EUA não pagarem as suas dívidas, «sejam cheques da Segurança social (pensões), empréstimos a pequenos negócios ou as obrigações do Tesouro».