O Banif quer arrecadar cerca de 50 milhões de euros com a troca de obrigações por ações que será lançada nos próximos dias, naquele que será o quarto aumento de capital dirigido a investidores privados este ano.

Os acionistas do Banif aprovaram a 13 de setembro uma operação de troca de obrigações por ações, em que poderão ser trocados os títulos emitidos no âmbito de 15 operações do grupo (Banif, Banif Finance e Banif Investimento), que decorreram entre 2004 e 2012, sendo sobretudo dívida subordinada.

Esta operação, em que cada ação será emitida a um cêntimo, tem um montante máximo de 198,9 milhões de euros, mas segundo disse hoje fonte oficial do Banif «a melhor expectativa do banco é trocar 50 milhões de euros».

Além de a maior parte do montante total estar colocada em investidores a retalho (cerca de 150 milhões de euros), há ainda emissões que teriam um elevado desconto em caso de troca, pelo que a expectativa do banco é de a troca possa abranger apenas uma parte do total.

A liquidez das ações do Banif e taxas de juro baixas de algumas emissões, sobretudo das emitidas antes da crise, poderão ser motivos para os investidores aderirem a esta operação.

Este será o quarto aumento de capital dirigido a investidores privados realizado este ano pelo Banif, isto depois de o banco ter recebido, em janeiro, 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos (700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações [as chamadas 'CoCo' bonds], no âmbito do processo de recapitalização que deixou o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição.

Na sequência desta operação, o banco ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros, para que o Estado veja a sua participação reduzida a 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto.

Até ao momento, o banco arrecadou 240,7 milhões de euros e está assim a 209,3 milhões de euros de sair do controlo público. O Estado tem atualmente 73,964% das ações do Banif e 64,368% dos direitos do voto.

Ao mesmo tempo que tenta angariar investidores privados, o banco está a reduzir custos operacionais, num processo que implica fecho de agências e corte de pessoal.

O banco quer fechar 30 agências este ano (23 já foram fechadas) e mais 30 em 2014, sendo que atualmente a instituição tem cerca de 300 agências em Portugal. O objetivo final é ficar apenas com os balcões rentáveis.

Quanto aos trabalhadores, também haverá cortes de pessoal. Alguns trabalhadores sairão das agências que fecharem, mas outros irão reforçar outros balcões, de modo a estes poderem oferecer mais serviços aos clientes, sejam particulares ou empresas. Em 2012, saíram 500 trabalhadores do Banif.