Notícia atualizada às 18:43

O banco BPI fechou 2013 com lucros consolidados de 66,8 milhões de euros, menos 73,2% do que no ano anterior, divulgou, esta quinta-feira, a instituição liderada por Fernando Ulrich.

Ainda em 2013, o BPI registou uma queda do produto bancário de 21,2% para 1.048,1 milhões de euros e um recuo de 18,4% da margem financeira para 485,1 milhões de euros, que o banco refere ter sido «pressionada pelo custo dos ¿CoCo¿».

No ano passado, o BPI pagou 84,9 milhões de euros pelos juros das obrigações de capital contingente que o Estado injetou na instituição, as chamadas ¿CoCo bonds¿. Dos 1500 milhões que o Estado injetou em junho de 2012, restam agora 920 milhões de euros em dívida do Estado, tendo o banco já recomprado os restantes.

Os custos consolidados subiram 1,8% para 650,5 milhões de euros, apesar de ter havido um recuo de 3,8% para 366,8 milhões de euros ao nível dos custos com pessoal.

As provisões e imparidades para crédito cresceram 1,2% para 272,6 milhões de euros. Este aumento das imparidades contribuiu para o prejuízo apresentado pelo banco no último trimestre do ano passado.

«O aconteceu é que reforçámos muito as imparidades. Vamos entrar no reino da supervisão bancária europeia e existe vantagem em que tudo esteja bem», justificou o banqueiro.

O rácio core tier 1 (medida de avaliar a solvabilidade de um banco) em 31 de dezembro fixava-se em 16,5%, de acordo com os critérios do Banco de Portugal (cujo nível mínimo exigido é de 10%), e de 11,2% face a Basileia III, fully implemented (totalmente implementada), superior ao mínimo de 7% exigido pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês).

E, tendo em conta o período de transição para as regras de Basileia III ( phasing in), ascende a 15,6%, uma fasquia muito acima do valor de referência de 8% definido para o exercício de avaliação de ativos que será feito pelo Banco Central Europeu (BCE).

O BPI conta com uma carteira de dívida pública de 7 mil milhões de euros, com a fatia de leão alocada aos títulos de dívida soberana portuguesa (5,2 mil milhões de euros).

Refira-se que o resultado líquido das operações internacionais cresceu 10% em termos homólogos, de 86,5 milhões de euros em 2012 para 95,2 milhões de euros em 2013.

Em sentido inverso, ao nível doméstico, o banco inverteu de um resultado líquido positivo de 162,6 milhões de euros em 2012 para um prejuízo de 28,3 milhões de euros.