A Comissão Europeia deu a aprovação final à compra do Banco Popular pelo Santander, pelo preço de um euro, no âmbito da resolução daquela instituição.

Em comunicado, Bruxelas disse que a operação não apresenta problemas de concorrência, considerando que as quotas de mercado conjuntas dos bancos são inferiores a 25% e que continuará a haver concorrentes fortes nos mercados em causa.

A Comissão explicou que investigou o impacto da fusão nos mercados de Espanha e Portugal, seja nos serviços bancários de retalho, empresariais, 'leasing', gestão de dívida e prestação de serviços de ATM.

Depois da aprovação, o Santander Totta disse que vai pedir autorização ao Banco Central Europeu para comprar o Banco Popular Portugal ao Santander, seu atual dono, e que espera ter concluída a fusão até final do ano.

“O Santander Totta irá fazer pedidos de autorização do BCE (…) para a aquisição do Banco Popular Portugal ao Banco Santander, que é o seu atual detentor, e para a fusão legal e das marcas”, disse fonte oficial, questionada pela Lusa.

A mesma fonte explicitou que para o pedido de autorização a Frankfurt é necessário um parecer do Banco de Portugal, que o Santander Totta ainda não possui.

O Santander Totta espera que “as operações em causa possam ser executadas no último trimestre do corrente ano”.

Santander vende 51% do negócio imobiliário do Popular

O banco espanhol Santander acordou vender ao fundo norte-americano Blackstone 51% do negócio imobiliário do Banco Popular, tanto crédito como imóveis, segundo informação ao mercado.

De acordo com a comunicação à CMVM, o negócio passa pela criação de uma sociedade para a qual são passados 30.000 milhões de euros de ativos imobiliários do Popular e 100% do capital da Aliseda, a filial que juntava património imobiliário do Popular.

O negócio passa pela criação de uma sociedade que fica a pertencer em 51% à Blackstone, que ficará na sua gestão, e em 49% ao Santander.

O Santander estima que a operação tenha um impacto positivo no rácio de solvabilidade CET 1 de 12 pontos básicos, com as regras de contabilização deste rácio totalmente implementadas, e a recuperação de 5 pontos base que tinham sido consumidos pela compra da Aliseda pelo Banco Popular.

A 6 de junho, o Banco Central Europeu (BCE) decretou que o Banco Popular não era viável e determinou a sua resolução, tendo em 7 de junho a Comissão Europeia dado a `luz verde` ao plano de resolução, considerando que se enquadrava no regulamento do Mecanismo Único de Resolução.

O Santander acordou então comprar o Banco Popular pelo preço simbólico de um euro.

Para permitir a compra, o Conselho de Administração do Banco Santander concordou com um aumento de capital de 7 mil milhões de euros, que garantirão o capital e as provisões necessários para que o Banco Popular possa operar com normalidade.

Apesar de os depositantes ficarem protegidos nesta operação, acionistas e detentores de dívida perdem o investimento, o que abriu já a porta a processos judiciais.

Esta operação tem impacto em Portugal, uma vez que o Santander Totta irá integrar a operação do Banco Popular Portugal, nomeadamente os seus 1.000 trabalhadores.

Na semana passada, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados semestrais, o presidente do Santander Totta, Vieira Monteiro, disse que o Santander Totta ainda está "limitado" na sua intervenção junto do Popular porque faltavam autorizações formais.