O Banco Nacional de Angola aumentou para 314 milhões de dólares (276 milhões de euros) o volume de divisas injetadas semanalmente na banca comercial, com o kwanza em forte desvalorização devido à crise do petróleo.

De acordo com o relatório semanal sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, divulgado hoje pelo BNA e ao qual a agência Lusa teve acesso, o banco central angolano realizou estas vendas em leilões entre 26 e 30 de janeiro.

Na semana anterior (19 a 23 de janeiro) as vendas cifraram-se em 300 milhões de dólares (264 milhões de euros). Na semana de 12 a 16 de janeiro as mesmas vendas de divisas ficaram-se pelos 159 milhões de dólares (140 milhões de euros).

As vendas da última semana foram concretizadas a uma taxa média de referência do mercado cambial interbancário de 104,989 kwanzas (89 cêntimos de euro) por cada dólar.

Esta taxa de câmbio oficial não para de subir desde novembro, quando um dólar valia menos de 100 kwanzas.

Devido às restrições impostas pelos bancos comerciais no levantamento de divisas aos balcões, face à escassez da moeda norte-americana, as taxas praticadas no mercado informal têm vindo a disparar, com a compra de cada dólar a 130 ou 140 kwanzas.

Em causa está a diminuição de receitas de venda do barril de crude por Angola, o que fez diminuir a entrada de divisas no país, provocando a escassez de dólares no mercado e dificultando o pagamento das empresas a fornecedores internacionais.

Na sexta-feira, a ministra do Comércio angolana, Rosa Pacavira, anunciou que o BNA está a reforçar a disponibilização de divisas aos bancos comerciais para desbloquear o pagamento de produtos importados, nomeadamente alimentos e medicamentos.

A governante falava aos jornalistas depois de se reunir em Luanda com importadores nacionais e bancos comerciais, encontro em que participou o governador do BNA, José Pedro de Morais Júnior e que serviu para analisar as dificuldades sentidas pelas empresas no acesso a divisas.

Rosa Pacavira confirmou que se verificam "constrangimentos relativos aos pagamentos" de mercadoria importada, com remessas em atraso desde novembro, devido à escassez de divisas.

«O BNA está neste momento a disponibilizar remessas para os bancos, de forma gradual, para que então se possa fazer o pagamento daqueles importadores de produtos alimentares e medicamentos, essencialmente. Para que tenhamos então os produtos a entrarem para o país», afirmou a governante, no final do encontro.

O presidente da Associação Industrial de Angola, José Severino, já defendeu, em declarações recentes à Lusa, uma desvalorização de oito por cento na moeda nacional, o kwanza, para travar a crescente procura de dólares no mercado informal, cuja cotação disparou.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana a seguir à Nigéria, atividade que representou no ano passado 76% das receitas fiscais do país.