Os países em desenvolvimento vão deter metade do capital de todo o mundo em 2030, prevê um relatório divulgado esta sexta-feira pelo Banco Mundial, que especifica que a China será responsável por 30% do investimento total no mundo.

De acordo com o relatório 'Horizontes do Desenvolvimento Global', hoje apresentado, os países emergentes vão ter metade do volume global de capitais daqui a 17 anos, chegando aos 158 biliões de dólares, quando hoje têm cerca de 1/3 do total.

O documento explica que o aumento da população, o consequente desenvolvimento económico e a rapidez com que estes países se aproximam dos níveis de vida das nações mais desenvolvidas são as principais razões para esta mudança económica, que coloca o ênfase em países como a China, a Índia ou o Brasil, adianta a Lusa.

A quota destes países nos investimentos mundiais está também em rápida aceleração, prevendo o Banco Mundial que este valor triplique até 2030, para representar então três quintos do total, quando em 2000 valia apenas um quinto do volume global de investimentos.

Para além das previsões, o relatório apresenta também um conjunto de conselhos relativamente às políticas que os governos devem seguir para não perderem o comboio do investimento global.

Entre as propostas está a criação de um ambiente favorável ao investimento, nomeadamente criando instituições de apoio aos investidores e a atenção que tem de ser dada à evolução da componente demográfica, na qual se destaca a diferença entre uma Europa envelhecida e uma África jovem.

Apesar de reconhecer que o financiamento da construção ou melhoramento das infraestruturas nos países em desenvolvimento é um desafio, o Banco Mundial recomenda a estes países que apostem na educação, uma vez que existe uma relação direta entre o rendimento e a capacidade de poupar.

Este relatório representa «o melhor dos nossos esforços para espreitar o futuro longínquo», explicou o economista-chefe do Banco Mundial, Kaushik Basu.

O documento, acrescenta o também vice-presidente do Banco Mundial, agrega uma «quantidade impressionante de informação estatística» para concluir que «em menos de uma geração, o investimento global será dominado pelos países em desenvolvimento, e entre estes, a China e a Índia deverão ser os maiores investidores, representando 38% do total do investimento bruto global».

Isto, conclui, «vai mudar o panorama da economia mundial, e este relatório analisa como», conclui o economista.