O presidente do ‘banco mau' do Banco Espírito Santo (BES), Luís Máximo dos Santos, considerou que a criação de um veículo de crédito malparado "poderá ser vantajoso", mas depende da forma como este será implementado.

Já tivemos experiência disso com a Finangeste. Se for possível no quadro europeu uma solução que não se foque no banco A, B ou C, mas que possa ser uma solução mais sistémica, provavelmente isso poderá ser vantajoso, mas depende muito de como isso se faz", disse Máximo dos Santos, no parlamento.

O presidente do 'banco mau' do BES, que esteve a ser ouvido, esta terça-feira, na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, no âmbito da proposta de designação para o Conselho de Administração do Banco de Portugal, respondia a uma questão colocada pelo deputado do PCP, Paulo Sá, sobre a criação de um veículo de crédito malparado, conforme defendeu o primeiro-ministro, António Costa.

Admito que há bancos com problemas no balanço, mas a economia não lhes propicia que esses problemas sejam resolvidos. Há um problema económico e um problema da banca. Não é totalmente garantido que ao melhorar a rentabilidade dos bancos a economia, só por si, corresponda plenamente", considerou o presidente do ‘banco mau' do BES.

O Governo quer criar um "veículo de resolução do crédito malparado", um "banco mau" como Espanha foi obrigada a lançar em 2012 e que afirma ter conseguido reduzir os ativos "tóxicos" imobiliários em 15,3%.

Já o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que interveio depois, concordou com "a indispensabilidade de encontrar uma fórmula" nesse sentido. Com uma advertência:

"Fórmula essa que não implique avançar para modelos de duvidosa exequibilidade ou de custos incomportáveis". 

O governador do Banco de Portugal entende que a saúde dos bancos está melhor agora do que há seis anos, mas há problemas herdados do passado, nomeadamente no que toca ao capital e precisamente ao malparado e aos ativos imobiliários da banca, que não geram rendimento e que constipam (se não mais do que isso) os bancos portugueses. Daí defender que é preciso libertar os bancos dessa espécie, dizemos nós, de vírus.