O PS e o PCP estão de acordo num ponto sobre o caso BES. Ambos os partidos entendem que o Banco de Portugal deveria ter afastado Ricardo Salgado da administração executiva do BES mais cedo, antes do verão deste ano, quando se deu o colapso do banco.

«Sabemos hoje que a substituição da administração do BES podia ter evitado muitos dos prejuizos em que incorremos todos», declarou o deputado do PS Pedro Nuno Santos, coordenador do partido na comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

As declarações do deputado, a que se junta uma posição no mesmo sentido de Miguel Tiago, do PCP, surgem no dia em que também o PSD reclamou que o governador do BdP explique o «desacerto» entre os factos afirmados na comissão parlamentar e revelações posteriores sobre o porquê de Ricardo Salgado não ter sido afastado mais cedo.

Isto porque, na semana passada, ouvido no parlamento, Carlos Costa realçou que o supervisor não tinha poderes consagrados na lei para afastar a equipa de gestão do BES e retirar a idoneidade de Ricardo Salgado, socorrendo-se, entre outros elementos, de um parecer de «dois grandes juristas de Coimbra a mostrar que o BdP não podia fazer o que queria fazer», isto é, afastá-lo da presidência do BES. Em carta endereçada aos deputados da comissão, o professor Pedro Maia desmente essa versão. 

Pedro Nuno Santos, do PS, sublinha que «há instrumentos na lei hoje que permitiam ao BdP ter substituido a administração de Salgado e provavelmente ter poupado ao país a dimensão dos prejuizos» que adviram da permanência do banqueiro. «Essa não foi a opção», lamenta o parlamentar.

Pelo PCP, Miguel Tiago sublinha que «tudo aponta» para que Carlos Costa devesse «ter agido muito antes». «Há um problema de arquitectura do sistema que se traduz na permanente incapacidade de resolver problemas», adverte o deputado comunista.

O que foi dito ao parlamento pelo governador sobre a idoneidade de Salgado e o sustento na tese académica «não é verdade», diz Miguel Tiago, mas se o governador foi «aconselhado juridicamente» no sentido de prestar tais esclarecimentos é algo que «do ponto de vista político pouco importa».