Carlos Costa volta a estar em cheque, com o Governo a reagir com surpresa e criticas ao facto de ter sido o Banco de Portugal a propor ao BCE que limitasse, em valor,  o acesso do Banif ao financiamento do eurosistema.

Em declarações ao jornal Público, o secretário de Estado adjunto e das Financas garante "não teve conhecimento dos fundamentos da decisão" e diz que a omissão de Carlos Costa ao executivo representa "uma falha de informação grave".

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Ricardo Mourinho Felix espera que o supervisor tenha uma justificação para esta proposta e acrescenta que na altura da reunião do conselho de governadores, a 16 de dezembro, o Banco de Portugal pedia ao governo que encontrasse uma solução para as necessidades de liquidez do Banif, agravadas pela decisão que, afinal, parece ter partido do regulador português.

Num comunicado tornado público antes destas declarações, o supervisor defende que a medida proposta era a menos gravosa e garante que não teve impacto na liquidez do Banif.

Em termos práticos, não tinha impacto no montante de liquidez que a instituição poderia obter no âmbito das operações de política monetária

Carlos Costa assegura que o Banco Central Europeu é que decidiu ir mais longe ao suspendendo o estatuto de contraparte, a partir de 21 de dezembro, vedando por completo o acesso ao financiamento.

A comissão de inquérito ao Banif tem conhecido várias passagens de culpa e acusações a propósito da resolução e venda do Banif. Ontem, por exemplo, o PSD acusou o ministro das Finanças de ter mentido perante os deputados. É que Mário Centeno garante que nunca teve qualquer interferência junto das instituições europeias para promover a venda do Banif ao Santander, mas uma carta do BCE, a que a TVI teve acesso, mostra o contrário.

A TVI também teve acesso à intensa troca de correspondência entre o Governo e o Banco de Portugal nos últimos dias antes da queda do Banif. Nas cartas, Mário Centeno acusa o Governador de ter viabilizado uma injeção de dinheiro público no banco em 2013, quando essa operação acabou por ser considerada ilegal e acusa o Banco de Portugal de ter falhado como supervisor.