Os bancos portugueses tinham, em fevereiro, 17.984 milhões de euros em crédito malparado, mais 275 milhões de euros do que no mês de janeiro, de acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

No entanto, se comparado esse valor com o mesmo mês do ano passado, houve uma diminuição do crédito vencido de empresas e famílias uma vez que em fevereiro de 2015 o total chegou aos 18.339 milhões de euros.

Os últimos dados disponíveis do Banco de Portugal indicam que, em fevereiro deste ano, o maior rácio de crédito vencido continuou a verificar-se no crédito às empresas, de 12.909 milhões de euros, numa subida de 264 milhões de euros face a janeiro.

O malparado das empresas representava em fevereiro 15,91% do total emprestado pelos bancos a estas sociedades (de 81.115 milhões de euros).

Já no crédito a particulares, o valor de malparado fixou-se em 5.075 milhões de euros, mais 12 milhões de euros do que em janeiro. O crédito vencido representava 4,27% do total de crédito a particulares (de 118.821 milhões de euros).

Dentro dos empréstimos a particulares, o crédito à habitação é maior parcela (97.269 milhões de euros), representando o malparado deste 2,61% do total, ou seja, 2.543 milhões de euros.

Apesar de o crédito malparado para a compra de casa ser uma fatia pequena do total concedido, é de sublinhar que em fevereiro houve um ligeiro aumento no valor total, de 23 milhões de euros, uma vez que em janeiro era de 2.520 milhões de euros.

O crédito vencido das empresas atingiu o seu auge em agosto de 2015, quando chegou aos 13.736 milhões de euros, e nos particulares o recorde deu-se em maio do ano passado nos 5.440 milhões de euros.

António Costa preocupado com crédito malparado

O tema do crédito malparado e da forma de ‘limpar’ os balanços dos bancos destes ‘ativos tóxicos’ está na ordem do dia depois de, no fim de semana, o primeiro-ministro, António Costa, ter defendido que é "útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais ativa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas”.

Nos últimos anos, este tema de criação de um mecanismo para tirar o crédito vencido dos bancos foi sendo falado, tendo sido mesmo motivo de conversas entre as autoridades portuguesas e a ‘troika’ no início do pedido de ajuda externa, em 2011, mas nunca avançou.

Na segunda-feira, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) afirmou mesmo que propôs em 2011 ao governo liderado por Pedro Passos Coelho o lançamento de um veículo deste género e defendeu que vê com “com agrado" que se reflita numa solução "para acelerar a recuperação ou a venda dos créditos em mora, promovendo o fortalecimento do sistema bancário europeu".

De acordo com a associação que representa os bancos que operam em Portugal, "tais soluções deverão ser compatíveis com o quadro comunitário e permitir minimizar potenciais perdas de capital".

Este tema também tem feito parte das intervenções públicas do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que ainda a semana passada, na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, disse que esse tema continua na sua “agenda” e que gostaria que houvesse em Portugal entidades semelhantes às que foram criadas em Espanha e Itália para absorver os ativos 'tóxicos' dos bancos dos dois países.

No entanto, o governador alertou que para isso é necessário “ter a capacidade para destacar do balanço dos bancos um conjunto de ativos e, simultaneamente, recapitalizar os bancos nesse montante" e que esse mecanismo poderia ter forte impacto nas finanças públicas.

Já a 05 de março, numa entrevista ao jornal Expresso, Carlos Costa tinha dito que “seria desejável encontrar soluções para retirar do balanço dos bancos os ativos punitivos, através da sua colocação em veículos que permitissem depois a sua venda a investidores finais".

No entanto, afirmou, uma vez que quem compra esses ativos quer fazê-lo abaixo do preço de balanço, é necessário que haja “um sistema de garantias que permita titularizar esses ativos, e assim interessar investidores com visão de longo prazo e capazes de ficar com esses ativos nos seus balanços”, segundo a Lusa.