O governador do Banco de Portugal mostrou-se esta terça-feira surpreendido com dois factos que alegou desconhecer, no que toca à garantia dada pelo Estado angolano aos créditos concedidos pelo BES ao BESA. É um assunto que o deixa de tal forma zangado que disse mesmo aos deputados da comissão de inquérito sobre o assunto, no Parlamento, que não quer ver Luanda à frente nos próximos tempos:

«Vou ser muito franco convosco. Não espero ter a necessidade de ir a Luanda nos próximos anos»


Carlos Costa refere-se à presença de elementos do Banco Nacional de Angola no BES, em julho de 2014, o mês do colapso, e a um um ofício do BNA, datado de 1 de agosto. Questões de que teve conhecimento, segundo disse, só através do depoimento de outros intervenientes que passaram pela comissão de inquérito. 

«Durante o mês de julho, tanto quanto eu sei, esteve uma auditoria externa no banco e esteve uma administração nomeada pelo BNA, ou pelo menos essa era a intenção que me foi comunicada no final do mês. E, segundo, nunca se referiram a esta carta» de 1 de agosto, que o governador leu e os deputados vão solicitar-lhe, bem como os comentários que teceu sobre a mesma. Nessa carta, o BNA refere-se ao «anexo 1 da garantia». Um anexo «que nós nunca vimos», garante Carlos Costa. 

«Quem quer tirar um nexo causal entre resolução e situação em luanda pode retirar daí toda a ideia. Não houve nenhum nexo causal. Há aqui um problema de outra dimensão. Vou ser muito franco convosco. Não espero ter a necessidade de ir a Luanda nos próximos anos»


«Até à publicação do artigo no Expresso não tínhamos informação sobre o que se passava em Luanda. Podem dizer: como é possível? É possível elas razões que todos conhecemos», continuou ainda. Recorde-se que a auditoria forense ao BES revelou 16 situações de potenciais incumprimentos relativamente ao BES Angola