O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou, esta sexta-feira, que «o nível da dívida pública portuguesa é sustentável» e quando a economia começar a crescer «é natural» que a procura de obrigações e bilhetes do Tesouro «aumente».

«A sustentabilidade da dívida depende das trajetórias futuras do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e das finanças públicas. A dívida é sustentável a partir do momento em que fica sob controlo e a partir do momento em que a economia começa a crescer», disse o governador à margem do XXIII Encontro de Lisboa entre os Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa.

«Quando a economia começar a crescer, e o défice e as finanças públicas estiverem sob controlo, é natural que aumente a procura de obrigações e bilhetes do Tesouro emitidas pelo Estado português. E a consequência do aumento da procura é a diminuição das taxas e uma diminuição das taxas tem como consequência reforçar a sustentabilidade do próprio serviço da dívida», acrescentou Carlos Costa.

O governador considerou ainda que Portugal introduziu junto dos investidores «um elemento adicional de confiança», que foi o sucesso da oitava e nona avaliações da troika relativamente à execução do programa de ajustamento, e «vamos ter seguramente o benefício correspondente». «Quando mais confiança mais fácil se torna o caminho», sublinhou.

«Não é o benefício que esperamos ter no final do processo, porque há outras duas etapas e há sobretudo uma etapa que é de credibilização junto dos mercados internacionais da qualidade do processo de ajustamento da economia portuguesa», avisou, no entanto, o governador do banco central.

Carlos Costa fez ainda questão de sublinhar que a economia portuguesa «fez um ajustamento notável» das suas contas externas, e apesar das dificuldades do ajustamento das finanças públicas pelos padrões internacionais, fez um ajustamento do défice estrutural primário que «foi o maior da área do euro».

Também o setor empresarial, reforçou o governador, revelou através da evolução das exportações um dinamismo que superou as expectativas, e «ao longo deste período tem vindo a conquistar quotas de mercado e isto significa capacidade para sobrevive r num contexto internacional difícil e sobretudo para se afirmar nesse contexto difícil», disse.

Agora, concluiu, «o que há que fazer é desenvolver o setor dos bens não-transacionáveis, criar emprego que permita absorver o desemprego que foi gerado no setor dos não-transacionáveis, estabelecer a saúde das finanças públicas, restabelecer o equilíbrio das finanças das famílias e criar emprego, que é vital para o bem-estar dos portugueses».