Portugal quer escolher um accionista estável para o Novo Banco, instituição que ficou com os activos não-tóxicos do colapsado BES, não visando um mero processo de alienação do capital daquele banco, disse o governador do Banco de Portugal (BdP).

Carlos Costa realçou que a resolução do ex-Banco Espírito Santo (BES) "foi bem sucedida", frisando que, ao contrário do que aconteceu em outros sistemas financeiros, não houve quebras de depósitos no período de ajustamento, nem de financiamento à economia.

"Nós não estamos a vender (simplesmente) o banco, estamos num processo de encontrar um accionista estável", disse o governador do BP, numa conferência.

A 17 de Abril, o BP referiu que escolheu cinco dos sete candidatos à aquisição do Novo Banco, que têm até ao fim de Junho de 2015 para apresentarem propostas vinculativas.

Fontes e alguma imprensa referiram que os chineses Anbang e Fosun são os candidatos que terão proposto preços iniciais mais elevados para comprar o Novo Banco, levando a dianteira sobre os outros pretendentes.

Em 2014, a Fosun, de Hong Kong, comprou a seguradora Fidelidade - seguradora líder em Portugal - e a número 1 dos hospitais privados portugueses Espírito Santo Saúde, que pertenciam ao falido GES. O fundo Apollo adquiriu, também em 2014, a seguradora Tranquilidade, que também fazia parte do GES.

A Anbang Insurance, oitava maior seguradora do ramo vida na China, recentemente fez aquisições no exterior, incluindo seguradoras na Coreia do Sul e na Holanda e um banco na Bélgica.

Carlos Costa referiu que a ideia de que há sempre resgate conduz à ideia que se está sempre protegido não é apropriada, e alertou: "há uma espécie de risco moral".

"Hoje estamos a ir para a zona de proteger os depósitos, mas implica três coisas: qualidade da supervisão, que não garante que não há risco de resgate; um grande esforço de compreensão do lado do cliente, que tem de perceber que há produtos com risco e sem risco," adiantou.

Salientou que terá de haver também mudanças entre a relação entre a entidade bancária e o cliente, com confirmação escrita de que o cliente saiba o que está a comprar.

"As instituições são a primeira responsabilidade de quem as gere, e os acionistas têm de responsabilizar e fiscalizar quem as gere", disse.

"Tem de haver prestação de contas e mecanismos de controlo e auditoria. Se não houver isto, o regulador chega tarde, ainda mais tarde se a informação tiver sido adulterada", concluiu.