O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse esta sexta-feira que os 28 Estados-membros da União Europeia devem agir de forma coordenada e sem movimentos erráticos, condenando os que só saem da «zona de conforto» quando se sentem ameaçados.

«Temos de pensar como os 28 Estados-membros conseguem agir de forma coordenada, e não ter movimentos erráticos», afirmou o governador na conferência “Europe: New Opportunities in the New World”, organizada pela Cunha Vaz e a decorrer em Lisboa.

Carlos Costa criticou «os que estão na zona de conforto e só pensam no todo» quando os problemas económicos começam a chegar à sua porta, numa alusão à Alemanha.

«Noto claramente que alguns que estavam nesta zona de conforto começam a sentir que esta zona estava cada vez mais restringida», salientou, sublinhando que «este é o momento ideal para dar o salto» e relançar a economia.

O governador considerou que «a margem de manobra dos Estados-membros não é a mesma e é preciso ter isso em conta», e que «o grande desafio é como reforçar os mecanismos de coordenação sem entrar no terreno da conciliação entre centro e periferia».

O papel mais importante cabe à Comissão Europeia que «tem de ser capaz de salvaguardar o equilíbrio entre Estados-membros».

Carlos Costa assinalou ainda que «entre 10 de outubro de 2008 e maio de 2010 havia um fogo a lavrar em torno da Europa» que, apesar de tudo, foi controlado graças aos «grandes avanços» que foram feitos do ponto de vista institucional, como a criação de regras de política orçamental, a união bancária ou o mecanismo europeu de estabilidade.

«Apesar da ideia recorrente de que a Europa não se move, a Europa move-se, de forma que as pessoas não dão conta», afirmou.

Para o responsável do Banco de Portugal, «o processo foi de tal forma credível que os mercados encontram-se hoje muito disponíveis para reconhecer e dar credibilidade aos esforços de ajustamento que foram feitos».

Mas o caminho não chegou ao fim: falta lançar o crescimento económico, reduzir o desemprego e pôr a Europa no caminho do crescimento económico sustentável no contexto de globalização, sugeriu Carlos Costa.