O Banco de Portugal avisou a Direção Geral da concorrência da União Europeia na tarde de 30 de julho, sobre os prejuízos recorde que o BES iria divulgar nessa noite e que precipitariam a intervenção do Estado, revela o Diário Económico, citando fontes oficiais.

A ministra das Finanças assegurou que não teve contactos com a DG antes de 2 de agosto, e o governador do BdP garantiu que não houve qualquer decisão antes de 1 de agosto e a Comissão Europeia assegurou que o processo aberto a 30 de julho era apenas de monitorização.

Sabe-se agora que Bruxelas abriu o processo nessa noite porque foi alertada horas antes pelo supervisor português. A mesma fonte oficial acrescentou que o regulador não podia deixar de desenvolver planos de contingência para o caso do BES não conseguir reforçar por si o capital e que os contactos com a instituição europeia não constituíram qualquer notificação dos auxílios do Estado, nem prenúncio dessa notificação.

A Comissão de Mercado e Valores Mobiliários não foi informada sobre a possibilidade de uma intervenção do Estado, que era já uma possibilidade a 29 de julho, segundo carta enviada pelo vice-governador do BdP, Pedro Duarte Neves. Se tivesse sido informada, a CMVM poderia ter suspendido a negociação das ações do banco, que entre 30 de julho e 1 de agosto caíram mais de 60%.

O regulador está a investigar a forte queda das ações do banco, para apurar se houve fuga de informação.