O Banco de Portugal argumenta que apenas o Santander apresentou uma proposta de compra vinculativa para o Banif e que sóinstituições de crédito autorizadas poderiam entrar na corrida à posição do Estado no banco.

A reação do regulador surge quatro dias depois da notícia do Público, que que dizia que o regulador impôs ao Governo a solução Santander para o Banif, em detrimento de uma oferta da Apollo, que teria imputado perdas máximas aos contribuintes de cerca de 700 milhões de euros, quase quatro vezes menos do que o dinheiro que o Estado tem agora em risco na operação.

 "Só o Banco Santander Totta SA, nas primeiras horas do dia 20 de dezembro, apresentou uma proposta vinculativa, tendo o Banco de Portugal, com base na mesma, iniciado imediatamente negociações com este potencial adquirente com vista à obtenção de um acordo que permitisse concluir, no próprio dia 20 de dezembro (antes, portanto, da reabertura do BANIF no dia seguinte) a aplicação da medida de resolução com a alienação da atividade do BANIF".
 

O regulador esclarece ainda que  “em face da premência do processo de resolução”, as instituições convidadas a apresentar propostas de aquisição fora as que “haviam manifestado interesse e tido participação efetiva no processo de aquisição da posição acionista do Estado Português no BANIF”, ou seja, o Banco Popular Español SA e o Banco Santander Totta SA.


O Ministério das Finanças já tinha reagido na sexta-feira, argumentando que a proposta da Apollo para a compra do Banif chegou fora de prazo e não era vinculativa. 

Esta terça-feira o Diário Económico revelou que o fundo chinês Bison Capital pediu um adiamento de cinco dias do prazo para apresentação de propostas vinculativas e, ao mesmo tempo, acenou com um cheque de mil milhões de euros para ajudar a capitalizar o Banif. Mas o Governo e o Banco de Portugal concluíram que esta manifestação de interesse não era suficientemente credível.