A sociedade-veículo que ficou com ativos do Banif no âmbito da sua resolução, que nas deliberações do Banco de Portugal (BdP) foi denominada Naviget, mudou de nome, passando a chamar-se Oitante, revelou hoje fonte oficial do supervisor.

"Apesar de a firma Naviget, S.A. se apresentar disponível na base de dados 'online', conforme pesquisa realizada em momento oportuno, o Registo Nacional de Pessoas Coletivas veio a indeferir o pedido de certificado de admissibilidade da firma Naviget, S.A. por entender que a mesma é confundível com Navigeste - Sociedade Gestora de Participações Sociais SGPS, S.A., sociedade já constituída", lê-se na nota enviada pelo BdP à agência Lusa.

Segundo a entidade liderada por Carlos Costa, "uma vez que a mudança de firma não coloca nenhum constrangimento relevante, optou-se por não recorrer daquele indeferimento e proceder à alteração da denominação social do veículo. O nome Oitante, S.A. foi proposto pelo CA [Conselho de Administração] do veículo e está aprovado".


Várias fontes do setor financeiro já tinham dito à Lusa que esta sociedade-veículo podia ter de mudar de nome, uma vez que o mesmo podia ser confundido com o nome de outra entidade já existente, como agora se veio a verificar.

Foi o supervisor e regulador bancário que, no âmbito da resolução do Banif, constituiu a então designada Naviget, elaborou os seus estatutos e transferiu para essa sociedade-veículo ativos, passivos e outros elementos do Banif.

A antiga Naviget tem como presidente Miguel Barbosa, que era o representante do Estado no Banif, e como vice-presidentes Paulo Boaventura e Sérgio Baptista. O fiscal único é José António Barata e o suplente Carlos Luís Loureiro.

A 20 de dezembro, domingo ao final da noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos – incluindo ‘tóxicos’ – para a nova sociedade veículo que foi denominada Naviget.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, sendo que 1.766 milhões de euros saem diretamente do Estado e 489 milhões do Fundo de Resolução bancário, que consolida nas contas públicas.

A este valor somam-se as duas garantias bancárias que o Estado presta, no total de 746 milhões de euros, e ainda os 825 milhões de euros da injeção de capital que o Estado fez em 2012 no banco (700 milhões em ações e 125 milhões de dívida híbrida – ‘CoCo bonds’ - que o Banif ainda não tinha pago) e que foram dados como perdidos no âmbito do resgate.

No total, e tendo em conta os valores até agora conhecidos e retirando o valor pago pelo Santander Totta, o resgate ao Banif pode custar ao Estado - e, logo, aos contribuintes - até 3.700 milhões de euros.