A Comissão de Orçamento e Finanças aprovou esta quarta-feira, por unanimidade, uma proposta do PSD para serem ouvidos com urgência, sobre a solução adotada para o Banif, o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal.

Na sua proposta inicial apresentada na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, o PSD apenas previa a audição de Mário Centeno, mas o PS solicitou que também Carlos Costa fosse ouvido sobre o Banif.

O CDS-PP, para concluir este processo de discussão, sugeriu então que os sociais-democratas fizessem um aditamento ao seu requerimento, juntando o governador do Banco de Portugal à proposta inicial referente ao ministro das Finanças.

Apesar da aprovação unânime pela comissão parlamentar, com a recomendação para que as audições se realizem com caráter de urgência, ainda não há uma data definida para Mário Centeno e Carlos Costa serem ouvidos.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da bancada do PSD António Leitão Amaro defendeu que, até ao momento, "foi o único partido a tomar a iniciativa de uma comissão de inquérito sobre o Banif, a par de uma auditoria externa independente, tal como aconteceu no caso do Banco Espírito Santo (BES)".

"Mas a comissão de inquérito e a auditoria externa ainda levarão tempo a iniciar-se e até receamos que haja a intenção de alguns de que tudo só aconteça depois da discussão do Orçamento do Estado para 2016. Ora, a gravidade das questões vindas a público nas últimas semanas, que deixam dúvidas muito fortes sobre se o esforço dos contribuintes no caso Banif teria de possuir aquela dimensão [cerca de três mil milhões de euros], é importante que se realizem já estas audições", sustentou o ex-secretário de Estado social-democrata.

António Leitão Amaro salientou depois que as audições com o ministro das Finanças e com o governador do Banco de Portugal "não prejudicam o interesse em apurar-se todos os factos, de todos os responsáveis, de todas as administrações do banco, de todos os governos sem exceção, do Banco de Portugal e das instituições europeias sobre o Banif".

"Mantemos o interesse que haja o mesmo espírito positivo de construção entre todas as forças políticas que houve na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES", acrescentou.