O novo administrador do Banco de Portugal, António Varela, salientou esta quarta-feira a importância de a banca se aplicar na reconfiguração das instituições e do modelo de negócio, atuando com princípios éticos «irrepreensíveis».

«Senhores banqueiros, tal como fazemos um reset no telemóvel quando ele bloqueia, temos que nos aplicar na reconfiguração das nossas instituições e do nosso modelo de negócio», disse o novo responsável pela supervisão prudencial do BdP durante a sua tomada de posse, numa cerimónia em Lisboa.

A ministra das Finanças deu posse a António Varela e a Hélder Rosalino como administradores do BdP, que substituem Teodora Cardoso e José Silveira Godinho.

António Varela ficará responsável pela pasta da supervisão prudencial e das questões relacionadas com o mecanismo único de supervisão e Hélder Rosalino será o gestor dos trabalhadores da instituição.

Para Varela é necessário ainda que a banca questione o seu governo societário e «verdadeiramente as capacidades e as motivações das pessoas que o protagonizam».

«Acima de tudo, atuar com princípios éticos irrepreensíveis», disse durante o discurso de tomada de posse, durante o qual adiantou que quer contribuir para que a supervisão «saia reforçada no diálogo, humildade e rigor».

«Estamos bem cientes do momento económico, financeiro e bancário da Europa e de Portugal», afirmou ainda.

A propósito, o novo administrador lembrou ainda que nos últimos anos se desenvolveram sistemas e produtos bancários «complexíssimos» e acrescentou: «Às vezes, esquecemo-nos de que somos seres humanos, falíveis».

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, por sua vez, afirmou no seu discurso que a confiança entre o BdP e o Governo «sai reforçada» com esta nomeação.

«Mais do que substituir administradores, é fundamental o reforço de competências nas áreas mais críticas, aportando valor à instituição e ao país», destacou a governante.

Para Maria Luís Albuquerque, a supervisão, enquanto «área absolutamente crítica para assegurar a estabilidade financeira e as condições de financiamento essenciais ao crescimento sustentável, não podia ter melhor titular do que Antonio Varela».