As baixas taxas de juro na zona euro são necessárias mas, se se mantiverem por um "período longo", poderão levar a uma incorreta avaliação de risco e a uma ineficiente afetação dos recursos, disse o governador do Banco de Portugal (BP) e membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE).

Adiantou que "a política monetária permanece acomodatícia e, como tal, contribui para apoiar a atividade económica da área do euro", bem como "tem favorecido as economias sob pressão, proporcionando condições adequadas para a desalavancagem e a melhoria liquidez dos vários sectores institucionais".

"No entanto, a manutenção por um período longo de baixas taxas de juro potencia riscos para a estabilidade financeira e coloca desafios à condução das políticas", disse Carlos Costa, citado pela Reuters, na Comissão de Orçamento e Finanças do Parlamento.

"Os níveis atuais das taxas de juro, que são necessários, poderão, no entanto, propiciar uma incorreta avaliação de risco e consequentemente induzir uma ineficiente afetação de recursos", frisou.

Adiantou que, "por conseguinte, é fundamental que, nas decisões de concessão de crédito, os bancos tenham em conta que, no futuro, as taxas de juro vigentes poderão ser substancialmente diferentes".

"Isto é: a nova normalidade constitui um desafio".


O Governo indigitou Carlos Costa para ser reconduzido num novo mandato de cinco anos à frente do BdP, estando a designação definitiva dependente da audição e emissão de parecer por parte desta comissão do Parlamento, no qual a coligação governamental de centro-direita é apoiada pela maioria dos deputados.

Carlos Costa foi o governador do BP que, em Agosto de 2014, decidiu a 'resolução' do ex-Banco Espírito Santo (BES) e está a liderar o processo de venda da instituição que ficou com os ativos não-tóxicos do BES, o Novo Banco.