Os ativos da banca portuguesa ascendiam a 414 mil milhões de euros em setembro, menos 2,3% do que em junho, um valor que é 2,3 vezes superior ao PIB português, segundo o Banco de Portugal (BdP).

Numa análise relativa aos desenvolvimentos do sistema bancário português, hoje divulgada pelo supervisor, com a data de referência fixada no final do terceiro trimestre do ano, verifica-se que o peso da banca baixou entre junho e setembro (de 2,4 vezes para 2,3 vezes o PIB).

O recuo no crédito concedido é um dos fatores que leva a esta ligeira descida do peso do setor bancário na economia portuguesa, até porque no terceiro trimestre o PIB registou uma variação nula face ao trimestre anterior. Em termos homólogos, o PIB cresceu 1,4%.
 

"A evolução do ativo reflete a variação do crédito total e das aplicações em instituições de crédito", justificou o BdP.


Entre os vários indicadores analisados, a entidade liderada por Carlos Costa realçou que "o recurso ao financiamento de bancos centrais voltou a diminuir no trimestre, representando 6,7% do total do ativo em setembro de 2015".

Por outro lado, "o rácio de transformação [crédito sobre depósitos] diminuiu ligeiramente face ao trimestre anterior, refletindo a redução do crédito e a estabilidade dos depósitos", indicou.

No final de junho este rácio estava situado nos 106% e passou para 104% no final de setembro.

Quanto à qualidade dos ativos, "o rácio de crédito em risco aumentou ligeiramente, para 12,9%, em resultado do crescimento do crédito em risco, sendo de destacar o contributo do segmento das empresas não financeiras", sublinhou o BdP.

Já a rendibilidade dos ativos e capitais próprios apresentou "melhorias significativas face ao período homólogo de 2014", referiu o supervisor, explicando que "para esta evolução contribuiu a redução expressiva das imparidades e dos outros custos".

No que toca ao peso da margem financeira no produto bancário houve uma estabilização, "observando-se um aumento do peso dos resultados em operações financeiras", frisou.

Em termos de solvabilidade, o rácio entre o capital 'tier 1' e o ativo total permaneceu estável nos 7,2%. Já os rácios 'core capital tier 1' (CET1) e de solvabilidade total estabilizaram no terceiro trimestre, nos 11,6% e 12,5%, respetivamente.