O Banco de Portugal já deu luz verde à nova equipa de gestão do Montepio, liderada por José Félix Morgado e aprovada na assembleia-geral de quarta-feira, informou esta sexta-feira o banco mutualista ao mercado.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Caixa Económica Montepio Geral informou que foi "obtida a autorização do Banco de Portugal" e que "o Conselho de Administração Executivo eleito na assembleia-geral extraordinária realizada a 05 agosto para o mandato 2015/2018, iniciou funções hoje, dia 07 de agosto".

Esta reunião extraordinária de acionistas do Montepio elegeu José Félix Morgado como presidente executivo do banco mutualista, em substituição de Tomás Correia na presidência da Caixa Económica Montepio Geral, o nome oficial do banco, que até aqui era presidente do Conselho de Administração de ambas as entidades e que passará a ficar exclusivamente na liderança da associação mutualista.

Na assembleia-geral, foram eleitos os órgãos sociais do banco até 2018, em resultado do novo modelo de governação que tem por objetivo reforçar a separação entre a instituição financeira e associação mutualista, que é também o seu único acionista, reduzindo a interdependência entre as duas.

Além da eleição do Conselho de Administração Executivo, que passará a ser presidido por Félix Morgado, ex-presidente da Inapa, e que terá seis vogais, foram ainda eleitos os 11 membros do Conselho Geral e de Supervisão, que será liderado por Álvaro Pinto Correia, que acumula este cargo com o de presidente não executivo da Inapa.

Já a mesa da assembleia-geral continuará a ser presidida pelo padre Vítor Melícias e terá dois secretários.

Os novos órgãos sociais aprovados na reunião de quarta-feira resultam da mudança nos estatutos aprovada em assembleia-geral a 26 de maio passado, com vista a reforçar os órgãos de administração do banco Montepio e da associação mutualista.

No entanto, os críticos da atual gestão do Montepio dizem que continuam a existir demasiadas interligações entre as duas instituições. A associação de clientes e associados Salvem o Pelicano denunciou ao Banco de Portugal (BdP) que vários dos eleitos para o banco fazem parte também da gestão da associação mutualista e apelou ao banco central para que evite que esses assumam funções.

O Montepio tem sido motivo de notícia nos últimos meses devido a alterações nos seus estatutos, até por imposição da nova legislação que aperta as regras das caixas económicas, e de polémicas relacionadas com a atuação do banco e da relação próxima e interdependente com o seu principal acionista, a Associação Mutualista.

Isto tem tido impacto também na liquidez do banco, com saídas de depósitos, e criado um clima de conflito interno, com alguns associados a contestarem a gestão de Tomás Correia, caso da associação Salvem o Pelicano.