O presidente do banco BPI, Fernando Ulrich, considerou esta quinta-feira como a «opção mais sensata» a decisão do Governo de abdicar da última tranche do empréstimo da troika para não ter de prolongar o programa de resgate.

«Do que conheço, parece a opção mais sensata», disse Ulrich, à margem da divulgação na bolsa de Lisboa dos resultados da oferta de troca de dívida do BPI em ações.

A ministra das Finanças anunciou hoje, no final do Conselho de Ministros, que o Governo abdicou de «receber o último reembolso do empréstimo» por não querer solicitar «uma nova extensão que reabrisse o programa com a troika».

«É muito importante que isto seja percebido. O que nós deixámos foi de ter condições para receber a última tranche. Por cerca de duas semanas acabámos por não poder alcançar esse resultado», explicou Maria Luís Albuquerque já na Assembleia da República. Portugal tinha a receber 1,7 mil milhões de euros do lado de Bruxelas e 900 milhões de euros pela parte do FMI.

O BPI anunciou hoje, em sessão na bolsa de Lisboa, a concretização da operação de troca de dívida do banco e de sociedades do grupo por ações, permitindo o aumento do capital social do BPI em 103 milhões de euros.

O objetivo desta operação era o reforço dos rácios de capital do banco e contribuir para a devolução ao Estado dos restantes 420 milhões de euros de obrigações subordinadas de conversão contingente (as chamadas CoCo bonds) subscritas pelo Tesouro.

Ulrich reafirmou hoje, aos jornalistas, que ainda acredita que poderá devolver o valor restante este mês, já que para isso falta apenas a concordância do Banco de Portugal.

«Os rácios de capital do banco são confortáveis, fornecemos toda a informação complementar que foi solicitada, o Banco de Portugal conhece-nos bem. Gostávamos de poder concluir o reembolso ao fim de dois anos, ou seja, três anos antes do prazo limite», afirmou.

Além disso, acrescentou Fernando Ulrich, ao BPI interessa reembolsar «o mais rápido possível» o valor em falta, até porque esta «é uma dívida cara».