O Banco de Portugal tomou conhecimento dos prejuízos recorde do BES no dia 27 de julho, ou seja, três dias antes do anúncio oficial (dia 30), segundo uma carta a que o «Diário Económico» teve acesso.

E a 29 de julho, o supervisor fez um ultimato ao banco: ou apresentava, num prazo de 48 horas, um «plano de reestruturação ou admitia uma intervenção no banco.

Ao que o «Diário Económico» apurou, a CMVM não foi informada desta carta, nem pelo Banco de Portugal, nem pelo BES. Caso a informação tivesse sido prestada, o regulador poderia suspender as ações do BES e evitariam-se as quedas abrutas.

Agora, esta carta, assinada pelo vice-governador Pedro Duarte Neves, representa o elo de ligação que faltava em tudo o que aconteceu nas três semanas que precederam o resgate.

Segundo o «Diário Económico», Pedro Duarte Neves referiu na carta que se antecipava, «com um elevado grau de certeza, considerando a magnitude dos resultados negativos» que iriam ser «apurados, relativamente ao período em causa, a materialização de uma situação de incumprimento dos rácios de solvabilidade em vigor, a partir do momento, em que as conclusões definitivas» fossem «tornadas públicas ainda durante» essa semana.

Refere ainda a carta, citada pelo «Diário Económico» que, «este plano de reestruturação deve incluir a apresentação de um plano credível» para realizar «uma operação de aumento de capital com recurso a capitais privados, com indicação de um calendário detalhado e de garantias de colocação, no montante necessário».