O ex-secretário do Estado dos Transportes Sérgio Monteiro, que vai integrar o Fundo de Resolução bancário para liderar a venda do Novo Banco, manifestou-se esta sexta-feira "entusiasmado" com as novas funções.

"A realidade é o que é e por isso venho animado com as novas funções. Sobretudo, é regressar a tudo aquilo que fiz durante a minha vida. Eu disse sempre que a minha missão em serviço público em funções políticas era desta legislatura, eu fui sempre da área financeira e agora regresso à área financeira", disse Sérgio Monteiro aos jornalistas no final da tomada de posse do XX Governo Constitucional.


Na quarta-feira, o Banco de Portugal (BdP) anunciou que Sérgio Monteiro vai integrar o Fundo de Resolução bancário, afirmando que "a complexidade e os desafios associados ao processo da venda do Novo Banco" levaram à "necessidade de encontrar um responsável de reconhecido mérito e elevada experiência em operações desta natureza que pudesse assegurar a coordenação e gestão de toda a operação, incluindo o acompanhamento do programa de transformação a implementar pelo Novo Banco, que é condição essencial para a sua venda".

"Como sabe, a gestão da resolução é do Banco de Portugal e as minhas funções nada tinham a ver com o sistema financeiro, era uma tutela técnica, de modo que me sinto, não só muito agradecido com a oportunidade de ter feito parte do governo, como muito entusiasmado", afirmou Sérgio Monteiro, afastando assim eventuais incompatibilidades entre o cargo que desempenhou e as futuras funções.

Antes de ir para o Governo como secretário de Estado, Sérgio Monteiro - que é licenciado em Organização e Gestão de Empresas pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra – estava no Caixa - Banco de Investimento, que pertence ao grupo Caixa Geral de Depósitos.

O governante foi o responsável, nos últimos anos, por várias operações de privatização, caso de ANA – Aeroportos de Portugal, CP Carga e TAP (ainda não concluída) e da entrega a privados dos transportes públicos do Porto (STCP e Metro do Porto).

Liderou também o processo de subconcessão do Metro de Lisboa e da Carris, cujos contratos ainda não receberam ‘luz verde’ do Tribunal de Contas.

Nos últimos quatro anos como governante, Sérgio Monteiro bateu-se ainda pela renegociação das Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias, com o objetivo de poupar dinheiro aos cofres públicos.