O ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, disse esta sexta-feira, no Funchal, que o problema dos agentes reguladores está em saber o momento certo para atuar.

Vítor Bento respondeu deste modo ao facto de serem evidentes as falhas de regulação no setor bancário, nomeadamente no caso do Banco Espírito Santo, uma questão levantada durante um debate subordinado ao tema "Onde pára o Estado na Economia", em que participou o ministro da Defesa, Aguiar-Branco.

«Um dos problemas com que a regulação se confronta permanentemente é saber qual é o momento certo de atuar», salientou Vítor Bento, depois de fazer uma comparação com o futebol, onde ao árbitro tem sempre dificuldade em atuar antes de ser cometida a falta.

O professor de economia e conselheiro de Estado realçou que quando a regulação não atua cedo é acusada de ser o provocador das consequências, «nomeadamente se houver estrondo». Por outro lado, ao atuar tarde, é acusada de «não ter capacidade de prever o estrondo».

«Esta é uma questão que se vai mantendo ao longo do tempo e ao longo das várias crises», afirmou Vítor Bento.

O debate, no âmbito do ciclo Ter Estado, organizado pelo Ministério da Defesa, que se centrou essencialmente na importância e papel dos agentes reguladores em Portugal contou, além de Vítor Bento, com a participação de Honório Novo, antigo deputado do PCP, Maria Manuel Leitão Marques, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e Miguel Frasquilho, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Foi moderado por Manuel Queiroz.

Honório Novo defendeu que a regulação é uma forma de «desresponsabilizar o Estado», ao mesmo tempo que foi «capturada» pelas instituições que devia regular, nomeadamente pelos grandes grupos económicos.

Por outro lado, Maria Manuel Leitão Marques considerou que um dos grandes desafios que se colocam ao Estado é o de reabilitar o papel da regulação, no sentido de torná-la mais eficaz.

Miguel Frasquilho, por seu lado, focou a intervenção na necessidade de apostar na internacionalização das empresas portuguesas e na captação de investimento estrangeiro para o país, onde a questão da competitividade fiscal assume um papel decisivo.