A intersindical FO-CFTC e a comissão de negociação da sucursal francesa da Caixa Geral de Depósitos manifestaram, hoje, a sua solidariedade com os trabalhadores que vão fazer greve no banco público, em Portugal, na próxima sexta-feira.

Em comunicado de imprensa, a intersindical e a comissão de negociação - que apoiaram uma greve de quase dois meses em França - manifestaram a sua "mais profunda e indefetível solidariedade" na luta que também consideram como sua.

Só a luta prosseguida com determinação e perseverança poderá ser suscetível de inverter o rumo da Caixa Geral de Depósitos no ataque sistemático da sua administração aos trabalhadores e aos seus direitos", indica o documento enviado à Lusa.

Durante dois meses e meio, de 17 de abril a 30 de junho, os trabalhadores da sucursal francesa estiveram em greve e fizeram várias ações de protesto nas ruas de Paris, tendo alcançado "uma primeira vitória" com "a revisão do plano de reestruturação levado a cabo pelo Governo com Bruxelas", apesar de "todos os ataques e ameaças de que foram vítimas os trabalhadores e as instâncias que os apoiaram".

A 26 de julho, o Ministério das Finanças anunciou que a CGD vai manter a operação de retalho em França, ainda que tenha sido confirmado, por exemplo, o encerramento da sucursal do Luxemburgo.

É com muita apreensão que temos vindo a assistir ao que nos parece configurar um desmantelamento do banco público, espelhado no fecho de centenas de agências, alienação ou fecho de sucursais em países de forte emigração, como é o caso do Luxemburgo e o que estava planeado para a França", acrescenta o comunicado.

A intersindical FO-CFTC e a comissão de negociação da sucursal francesa lamentam, também, "a situação de ataque aos direitos dos trabalhadores", nomeadamente a denúncia do acordo empresa, que está na origem da convocação da greve para a próxima sexta-feira.

É tanto mais aberrante quanto surge numa situação em que a Caixa Geral de Depósitos realiza benefícios, benefícios esses que não só foram alcançados graças aos trabalhadores, como o foram na vigência dos acordos agora denunciados pela administração, uma administração que se faz, ao mesmo tempo, atribuir salários milionários", continua o documento.

O documento condena, ainda, "os atos de assédio, repetidamente denunciados pelo sindicato da instituição, sobre trabalhadores que a administração do banco público quer fazer aderir à força aos planos de rescisão dos contratos de trabalho".

O Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa Geral de Depósitos (STEC) convocou, a 02 de agosto, uma greve para o dia 24 contra a denúncia do Acordo de Empresa (AE) apresentada pela administração.

A denúncia do acordo "constitui uma verdadeira declaração de guerra aos trabalhadores e ao STEC", sublinhou o sindicato em comunicado à imprensa.