O governador do Banco de Portugal apontou hoje para o problema de "sobredimensionamento" da banca face à realidade atual do setor, realçando que os bancos tiveram que reduzir a sua capacidade instalada no mercado doméstico nos últimos anos.

"Os bancos portugueses em geral têm um problema de sobredimensionamento face ao negócio disponível. Têm uma dificuldade adicional que resulta da contração do produto bancário, e ainda há o impacto da inovação tecnológica", afirmou Carlos Costa.

O responsável falava na Comissão de Trabalho e Segurança Social, a propósito do corte de pessoal em curso no Novo Banco, tendo considerado que este "é um panorama comum aos bancos europeus".

E destacou: "A redução mais acelerada em Portugal do que nos outros países da Europa é porque temos mais balcões e trabalhadores por habitante" no sistema bancário.

"No caso do Novo Banco, eu diria que quer se tratasse de um banco de transição ou não, esta racionalização teria que acontecer", lançou Carlos Costa, considerando que tal é ainda mais flagrante por se tratar de "um banco de transição e sujeito ao escrutínio dos auxílios de Estado".

O governador sublinhou que "todos os bancos tiveram que fazer uma redução do número de efetivos e de agências" ao longo dos últimos anos, e que "também tiveram que repor o rácio de eficiência (‘cost-to-income’) que permitisse o retorno à rentabilidade, porque este é essencial para garantir a segurança dos depósitos e o financiamento para a economia".

Face às questões dos deputados sobre alegadas irregularidades no processo de redução de efetivos do Novo Banco, Carlos Costa voltou a frisar que o supervisor "acompanha o cumprimento [das metas acordadas entre o Estado português e Bruxelas], mas não lhe compete o cumprimento" das mesmas, que é tarefa para a equipa de gestão liderada por Eduardo Stock da Cunha.

Ainda assim, mostrou-se convicto que "o Conselho de Administração terá tido o cuidado de verificar qual era a melhor forma de aplicar o compromisso em causa", isto é, a redução de 1.000 trabalhadores até ao final do ano.

E disse que o processo deve estar de acordo com "a observância da lei, a observância dos interesses do próprio banco e a observância do interesse público".

O Novo Banco disse hoje que as rescisões por mútuo acordo estão quase concluídas e que o despedimento coletivo de trabalhadores da instituição em Portugal deverá ficar "claramente abaixo dos 100" efetivos.

Numa nota de esclarecimento, o Novo Banco adiantou que a fase de rescisões por mútuo acordo está "quase terminada" e que, agora, o grupo "tomará as decisões respeitantes à próxima fase do processo de reestruturação".

Considerando que o "ponto de partida [era] uma obrigação de reduzir 1.000 postos de trabalho entre 30 de novembro de 2015 e 31 de dezembro de 2016", a instituição liderada por Stock da Cunha diz acreditar que "o trajeto até aqui percorrido permitirá que um despedimento coletivo, em Portugal, fique claramente abaixo dos 100 trabalhadores".