Os resultados dos novos testes de stress à banca europeia serão revelados sexta-feira e Portugal pode apresentar “problemas em entidades relevantes”. A notícia é avançada pelo El País que cita fontes financeiras.

Uma notícia que surge no mesmo dia em que o BCP decidiu que adia para sexta-feira, à hora da divulgação dos resultados destes testes (21:00) a sua apresentação de resultados semestrais.

Mas não é só a banca portuguesa que deve revelar grandes problemas nestes testes. O jornal espanhol fala da banca alemã e da italiana.

“O caso alemão poderá ser mais complicado se apontar entidades relevantes no setor”, diz o El País.

E enquanto no caso alemão parece haver mais reticências, no que toca ao italiano o jornal refere que “[os bancos italianos] são os que refletiram maiores problemas de capital”, seguidos dos alemães e portugueses. 

O défice de capital de algumas entidades italianas pode ser utilizado como argumento pelo Governo de Matteo Renzi para injetar “temporariamente” dinheiro público nos bancos e facilitar a reestruturação do sistema, pendente há anos. Mas o El País assegura que não é esperado que, no caso italiano, os grandes bancos tenham problema maiores de capital.

A publicação acrescenta ainda que Espanha, foi o segundo país, a par com a França, a ter mais bancos a submeterem-se aos testes coordenados pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) e realizados em articulação com o Banco de Portugal. O total de entidades só superado pelos 10 bancos alemães e à frente de Itália, com cinco entidades, do País Baixo, Reino Unido e Suécia com quatro em cada ano.

O El País refere que no caso espanhol, dos seis bancos analisados pela EBA, Santander, BBVA, Bankia, CaixaBank (acionista do BPI), Sabadell e Popular, todos superaram, sem problemas os testes de stress, que serão revelado na sexta-feira. Embora os resultados sejam secretos, as mesmas fontes financeiras, citadas pelo jornal, alertam para o fato de, num contexto de cenário económico adverso, ser o BFA- Bankia que tem melhor rácio de capital (cerca de 10%). Seguem-se-lhe o CaixaBank, BBVA, Sabadell e Santander em torno de 8% ou 9%. O Popular surge com uma classificação perto de 7%, embora não tenha sido tido em conta o aumento de capital de junho que poderia fazer subir o rácio para os 10%.

Testes de stress o que avaliam?

O objetivo dos testes é determinar o nível de capital que os bancos teriam numa situação de crise económica. E se estão preparados para enfrentá-la. Neste sentido simulam-se quebras na procura, perturbações nos mercados financeiros e o declínio do Produto Interno Bruto médio da União Europeia – sobre um nível base acordado aplicam-se descida do produto de 3,1% em 2016; 6,3% em 2017 e 7,1% em 2018.

O cenário adverso também inclui o declínio dos preços de ativos imobiliários, bem como das taxas de câmbio. E parte-se do princípio que o crescimento do PIB acumulado nas economias avançadas, incluindo o Japão e os Estados Unidos, será entre 2,5% e 4,6%, inferior ao previsto para 2018. Entre as principais economias emergentes, Brasil, Rússia e Turquia, será aplicada uma queda do PIB entre 4,5% e 9,7%, projetado para 2018. Esta circunstância especial afeta, no caso espanhol, o Santander no Brasil e BBVA na Turquia.

Entre as principais alterações, nestes novos testes de stress, está a avaliação do risco de conduta - que resultar em multas e sanções - ou de crédito em moeda estrangeira, o risco cambial.

O aumento dos prémios de risco, baixa liquidez, as perspetivas de rentabilidade fracas, para bancos e seguradoras, estão também em análise. Bem como a tensão na sustentabilidade da dívida pública e privada, o efeito do rápido crescimento do sistema bancário paralelo, entre outros.