Os quatro principais bancos britânicos passaram com sucesso os testes de stress do Banco de Inglaterra, que testou a capacidade teórica destes para suportarem condições económicas adversas, anunciou esta terça-feira o BoE.

Barclays, HSBC, Lloyds e Royal Bank of Scotland demonstraram que são suficientemente sólidos para resistirem a uma conjuntura catastrófica, incluindo uma recessão, um forte aumento do desemprego, uma subida da inflação e das taxas de juro, bem como uma queda dos preços do imobiliário, sublinhou o banco central britânico.

Mesmo assim, o Lloyds e o RBS passaram os testes com menos dificuldades do que os outros dois bancos.
Estes testes foram publicados dois meses depois da divulgação dos resultados de exercícios comparáveis realizados pelo Banco Central Europeu e pela Autoridade Bancária Europeia.

Na altura, 25 bancos da zona euro, incluindo nove italianos, não passaram com sucesso aquele exame do BCE, destinado a restaurar a confiança neste setor-chave da economia.

No Reino Unido, que não faz parte da zona euro, oito bancos fizeram os testes do BoE.

Além dos quatro gigantes bancários do país, três outras instituições financeiras passaram o exame com sucesso, designadamente o Standard Chartered, cuja atividade está concentrada na Ásia, o Santander UK, a filial britânica do banco espanhol, e o banco mutualista local Nationwide Building Society.

Apenas um banco não passou os testes, o Co-operative Bank, uma instituição originária do setor cooperativo que atravessou uma quase falência no ano passado e posteriormente foi comprado por fundos de investimento norte-americanos. O BoE pediu ao Co-operative Bank para apresentar um novo plano de capitalização.

O BoE congratulou-se pela solidez constatada nos outros grandes bancos do país seis anos depois da crise financeira internacional, que arrasou numerosas instituições britânicas ativas na City de Londres.

«Os resultados demonstram que o coração do sistema bancário é muito mais resistente, que tem força para continuar a servir a economia real, mesmo em caso de fortes dificuldades, e que a crescente confiança no sistema é merecida», explicou o governador do BoE, Mark Carney, num comunicado.

Intervencionados pelo Estado durante a crise financeira internacional, o RBS e o Lloyds continuam a ser parcialmente detidos pelo Governo britânico, que detém participações de 80% e 25%, respetivamente.

Como o Barclays e o HSBC, o RBS e o Lloyds apresentam melhores desempenhos desde então, mas têm sido alvo de numerosos processos judiciais, associados à maior severidade das autoridades políticas, judiciárias e de regulação depois da crise.