O Novo Banco deve ser vendido a quem pagar mais para ter o menor custo possível para os outros bancos nacionais, não devendo o Fundo de Resolução tomar uma decisão por estar limitado por um deadline, defendeu esta segunda-feira o líder do BCP, Nuno Amado.

«A venda do Novo Banco deve ter em conta o preço e não o tempo. O mais importante é que a venda seja feita nas melhores condições possíveis para o sector e para a economia», disse o presidente executivo do maior banco privado português.

«A venda (do Novo Banco deve ser) a quem pague melhor. Para o BCP é claramente a posição: a quem apresentar uma melhor oferta e melhores condições», afirmou Nuno Amado.

O Banco de Portugal tem referido que o Novo Banco tem interessados e prevê ofertas indicativas no início do próximo ano e ofertas vinculativas em meados do segundo trimestre de 2015.

Nuno Amado frisou que «não há défice de concorrência em Portugal e, ao contrário, com o mercado a funcionar normalmente, a haver, há é excesso de concorrência para a procura de crédito que há atualmente», frisando: «portanto, eu diria que pode haver algum espaço para concentração».

«A função-objetivo não deve ter o tempo como fator chave, nem deve ser se é um banco português ou estrangeiro. O fator tempo não é um fator chave», afirmou, referindo que, nesta altura, não sabe «se é em três meses, em seis ou em dois anos».

Portugal, quando decidiu criar o Novo Banco, dotou-o de um capital de 4.900 milhões de euros, tendo o Tesouro usado a linha pública do resgate do país e concedido um empréstimo de 3.900 milhões de euros ao Fundo de Resolução, que é detido pelos bancos do sistema.

Alguns banqueiros têm alertado que, se o Novo Banco for vendido por menos do que os 4.900 ME de capital injetado através do Fundo de Resolução, os outros bancos do sistema teriam imparidades entre a diferença dos dois valores, penalizando os seus resultados e até a solvabilidade.

Contudo, o regulador já sugeriu que os bancos poderão transformar eventuais perdas na venda do Novo Banco num crédito do Estado ao sector financeiro, se for compaginável com as contribuições deste para o Fundo de Resolução por um período de tempo razoável.