O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Faria de Oliveira, não se mostrou surpreendido com os prejuízos apresentados pelo Novo Banco relativos aos seus primeiros cinco meses de atividade, que ascenderam a 468 milhões de euros.

«Naturalmente, toda a gente esperava que os resultados fossem negativos. Não podiam ser positivos», afirmou o responsável à agência Lusa, à margem da 1.ª conferência Educação Financeira APB, que decorre hoje em Lisboa, no âmbito da European Money Week.

«Espero que, por ocasião da venda, se tomem em consideração critérios que relevem o potencial do Novo Banco, acrescentou Faria de Oliveira.

O Novo Banco registou um resultado líquido negativo de 467,9 milhões de euros desde que foi criado, em agosto de 2014, na sequência da resolução do Banco Espírito Santo, até ao final do ano passado.

A rentabilidade do Novo Banco foi afetada pelo custo total com imparidades, que ascendeu a 699,1 milhões de euros, dos quais 378,1 milhões de euros para crédito, 199,7 milhões de euros para títulos, 57,7 milhões de euros para ativos não correntes detidos para venda e 63,6 milhões de euros para outros ativos e contingências.

As imparidades decorrentes das participações na Portugal Telecom/Oi foram de 108,4 milhões de euros.

Excluindo os fatores de natureza não recorrente, o resultado líquido apurado no período foi negativo em 229,7 milhões de euros.

«Pensamos que é possível que o banco tenha resultados positivos em 2016. Provavelmente, em 2015, ainda não», antecipou o presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, na videoconferência de apresentação das contas que hoje decorreu.

«Mas não pensamos que em 2015 haja um resultado recorrente negativo como tivemos em 2014», assinalou.