Depois de cancelado o processo de venda do Novo Banco, confirmado esta terça-feira pelo Banco de Portugal, o que se segue para a instituição financeira?

Vasco Rosendo, editor de Economia da TVI, sublinha que o primeiro passo é mandatar a  administração de Stock da Cunha para fazer um plano estratégico para fazer face às eventuais necessidades de capital do banco, ou seja, para reduzir as necessidades de capital, que se estima que sejam de cerca de dois mil milhões de euros. “Seguramente, mais de mil milhões de euros”.

Daqui, Stock da Cunha pode avançar para a venda de ativos, considerados não estratégicos para a atividade do Novo Banco. Como exemplos, “a venda da gestora de ativos, a antiga Espírito Santo Ativos Financeiros (ESAF), ou a área de seguros do ramo Vida”.

A administração deverá também diminuir a presença do banco nos mercados internacionais. O Novo Banco está atualmente presente, através de operações próprias, em França, Espanha, Luxemburgo, Moçambique e em Macau. “Podem vir a ser vendidas para gerar recursos para o reforço de capitais”.

A opção de gestão pode ainda passar por uma racionalização de custos, que é normalmente acompanhada de uma redução de pessoal e encerramento de balcões.

“Recorde-se que, desde que o banco foi intervencionado, não existiu uma reestruturação profunda a este nível na atividade em Portugal”.
 

  No último ano houve uma redução de custos em 10%, com pessoal e fornecimento de serviços, mas não houve um fecho de balcões como no resto do setor. Desde a resolução e até julho saíram, em termos líquidos, 400 pessoas, através de rescisões por mútuo acordo, mas só foram encerrados 5 balcões.

O plano estratégico contemplará ainda a venda de outros ativos que consomem capital, como por exemplo parte da carteira de crédito imobiliário que o banco considerar não estratégica.