A CGD, o BCP, o BPI e o Espírito Santo Financial Group (ESFG), a holding que controla o BES, têm em carteira 26.500 milhões de euros em títulos de dívida pública portuguesa, segundo a Autoridade Bancária Europeia (EBA).

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) lidera este campeonato, com 9,6 mil milhões de euros, seguida pelo BCP, com 6,8 mil milhões de euros, pelo Banco BPI, com 6 mil milhões de euros, e pelo ESFG, com 3,75 mil milhões de euros, de acordo com os dados resultantes do último exercício de transparência do regulador europeu, cuja data de referência é o final de junho.

Somando as carteiras de dívida pública portuguesa das quatro entidades financeiras analisadas pela EBA aos restantes títulos de dívida soberana de outros países, o montante global aproxima-se dos 38 mil milhões de euros.

Excluindo os títulos de dívida soberana portuguesa, as carteiras de dívida das quatro instituições em causa revelam as suas diferentes exposições a mercados distintos.

A CGD tem a esmagadora maioria da sua carteira de dívida soberana concentrada em títulos portugueses, mas também detém 214 milhões de euros de dívida pública francesa, 129 milhões de euros de dívida soberana espanhola, 43 milhões de euros de dívida pública da Eslováquia, 29 milhões de euros de dívida pública dos Estados Unidos (EUA), seis milhões de euros de dívida soberana da Bélgica e da Austrália, 3 milhões de euros de dívida grega e 83 milhões de euros de dívida dos países da América Latina e Caraíbas, a que se somam 540 milhões de euros de países não discriminados, num total de 10,6 mil milhões de euros.

Já o BCP, sem contar com Portugal, tem uma exposição de 1,7 mil milhões de euros à dívida polaca (onde tem uma importante operação bancária), 205 milhões de euros à dívida irlandesa, 50 milhões de euros à dívida italiana, 44 milhões de euros à dívida espanhola, 12 milhões de euros à dívida da Holanda e da Áustria e 11 milhões de euros à dívida belga. Mais 587 milhões de euros de outros países, num total de 9,5 mil milhões de euros.

O ESFG tem, além de dívida portuguesa, a fatia de leão da sua carteira de dívida soberana alocada a Espanha (1,7 mil milhões de euros) e à América Latina e Caraíbas (1,2 mil milhões de euros).

Nota também para a exposição de 414 milhões de euros à dívida dos países do Médio Oriente, 196 milhões de euros à dívida italiana, 132 milhões de euros à dívida norte-americana, 44 milhões de euros à dívida grega, 16 milhões de euros à dívida polaca e 1,7 mil milhões de euros à dívida de outros países, num total de 8,4 mil milhões de euros.

Por fim, o BPI tem uma forte exposição à dívida italiana (mais de mil milhões de euros) e à dívida de outros países (1,7 mil milhões de euros). No final do semestre, detinha ainda 363 milhões de euros de dívida irlandesa que, entretanto, como foi tornado público, foi totalmente alienada.