O HSBC Private Bank, filial suíça do banco britânico HSBC, foi acusado na Bélgica de fraude fiscal grave, organização criminosa, branqueamento de capitais e exercício ilegal de intermediação financeira, indicou esta segunda-feira a justiça belga.

As suspeitas sobre o HSBC, um dos maiores cinco bancos do mundo, baseiam-se na presença e intervenção ilegal na Bélgica durante vários anos, com o objetivo de transferir e gerir os bens de uma clientela muito acomodada, em particular do setor dos diamantes em Anvers, explica num comunicado o Ministério Público belga.

Além disto, suspeita-se que o banco «favoreceu e incentivou a fraude fiscal», ao pôr à disposição da alguns dos clientes privilegiados sociedades com vantagens fiscais (offshore) localizadas em particular no Panamá e nas ilhas Virgens, que não tinham qualquer atividade económica e com o único objetivo de esconder os bens daquelas pessoas.

Desta forma, a entidade bancária teria vendido essas empresas para escapar à aplicação da Diretiva sobre a fiscalidade das poupanças, que permite aos países taxar os rendimentos das poupanças dos contribuintes, incluindo quando estes são obtidos noutro Estado-membro.

Estas práticas teriam permitido evadir milhares de milhões de dólares e teriam privado o Estado belga de arrecadar várias centenas de milhões de euros, adianta o Ministério Público belga.

O juiz de instrução Michel Claise, que está com o processo, deverá interrogar a curto prazo diferentes dirigentes e empregados do banco.