A assembleia-geral extraordinária do Montepio elegeu esta quarta-feira José Félix Morgado como presidente executivo do banco mutualista, disse à agência Lusa fonte oficial da instituição.

José Manuel Félix Morgado irá assim substituir Tomás Correia na presidência da Caixa Económica Montepio Geral, o nome oficial do banco, que até aqui era presidente do Conselho de Administração de ambas as entidades e que passará a ficar exclusivamente na liderança da associação mutualista.

A reunião magna hoje realizada na sede do Montepio, em Lisboa, e que serviu para eleger os órgãos sociais do banco até 2018, resulta do novo modelo de governação que tem por objetivo reforçar a separação entre a instituição financeira e associação mutualista, que é também o seu único acionista, reduzindo a interdependência entre as duas. O encontro foi restrito a cerca de 20 pessoas, uma vez que pelos estatutos esta é composta pelos órgãos sociais da Associação Mutualista.

Além da eleição do Conselho de Administração Executivo, que passará a ser presidido por Félix Morgado, ex-presidente da Inapa, e terá seis vogais, na assembleia-geral de hoje foram ainda eleitos os 11 membros do Conselho Geral e de Supervisão, que será liderado por Álvaro Pinto Correia, que acumula este cargo com o de presidente não executivo da Inapa.

Já a mesa da assembleia-geral continuará a ser presidida pelo padre Vítor Melícias e terá dois secretários.

Quanto ao Comité de Avaliações, a proposta inicial punha Tomás Correia como presidente sendo os vogais Vítor Melícias. A assembleia-geral nomeou, no entanto, hoje outros membros para o comité de avaliações, passando a ser constituído por Álvaro Pinto Correia, presidente, José Ares Romão e Fernando Ribeiro Mendes.

O Comité de Avaliações será constituído assim pelos mesmos membros do Comité de Remunerações.

Por fim, o Comité de Riscos, será liderado por Acácio Jaime Liberato Mota Piloto e terá dois vogais.

A reunião de hoje decidiu ainda criar um grupo de trabalho para decidir as remunerações dos futuros 11 membros do Conselho Geral e de Supervisão.

Os novos órgãos sociais hoje aprovados resultam da mudança nos estatutos aprovada em assembleia-geral a 26 de maio passado, com vista a reforçar os órgãos de administração do banco Montepio e da associação mutualista.

No entanto, os críticos da atual gestão do Montepio dizem que continuam a existir demasiadas interligações entre as duas instituições.

A associação de clientes e associados Salvem o Pelicano denunciou hoje ao Banco de Portugal (BdP) que vários dos eleitos para o banco fazem parte também da gestão da associação mutualista e apelou ao banco central para que evite que esses assumam funções.

Depois da assembleia-geral de hoje, o Montepio vai agora enviar os novos nomes dos órgãos sociais ao Banco de Portugal, que tem depois cerca de trinta dias para dar ‘luz verde' à nova equipa de gestão, explicou.

O Montepio tem sido motivo de notícia nos últimos meses devido a alterações nos seus estatutos, até por imposição da nova legislação que aperta as regras das caixas económicas, e de polémicas relacionadas com a atuação do banco e da relação próxima e interdependente com o seu principal acionista, a Associação Mutualista. Isto tem tido impacto também na liquidez do banco, com saídas de depósitos, e criado um clima de conflito interno, com alguns associados a contestarem a gestão de Tomás Correia, caso da associação Salvem o Pelicano.