O banco público Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou um prejuízo de 171,5 milhões de euros (ME) em 2015, uma redução para cerca de metade face ao ano anterior, ainda penalizada por elevadas imparidades, mas beneficiando de uma subida da margem financeira e do produto bancário.

A margem financeira, diferença entre juros cobrados em empréstimos e pagos por depósitos, cresceu 14,4% para 1.188 ME, beneficiando de uma redução de 21,5% do custo de funding.

O produto bancário aumentou 17,5% para 2.042 ME. As provisões e imparidades recuaram 24,6% para 716,5 ME.

Os custos com pessoal cresceram 12,4%, ou 90,5 ME, "essencialmente devido aos efeitos do provisionamento do 'Plano Horizonte', relativo a aposentações voluntárias, bem como da redução em 2015 da taxa de desconto das responsabilidades do fundo de pensões".

As comissões líquidas desceram 0,7% para 511,5 ME.

Os recursos de clientes aumentaram quase 2.300 ME para 73.426 ME no final de Dezembro, "refletindo a forte capacidade da CGD para atrair aplicações de clientes, mesmo numa conjuntura de reduzidas (e em queda) remunerações de depósitos".

O crédito bruto a clientes desceu 1,9% para 71.376 ME.

O rácio de crédito vencido há mais de 90 dias agravou-se ligeiramente para 7,2%, de 7,1%.

"Eu gostava de salientar a significativa melhoria, quer na atividade doméstica, quer na atividade internacional. Essa recuperação ainda não chegou para apresentar resultados consolidados positivos, mas estamos muito próximos disso", afirmou José de Matos, presidente da CGD, na apresentação de resultados.

 

"Temos um banco que está a recuperar rapidamente a sua rentabilidade, está com uma boa liquidez e tem a sua operacionalidade sustentada", assinalou o gestor durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2015.

 

"Estamos muito melhor do que aquilo que estávamos. Todas as nossas unidades internacionais estão a funcionar como um todo e a nossa presença internacional é neste momento um ativo único na banca portuguesa", realçou José de Matos.