O Banif está numa corrida contra o tempo. Se até ao final da semana o banco madeirense não encontrar um comprador, o Governo vai adotar uma medida de resolução.
 
Segundo a TVI conseguiu apurar, essa medida deverá passar pela criação de um 'banco mau' onde serão colocados os ativos tóxicos da instituição e que poderá implicar perdas. Em comunicado, o banco argumenta que um cenário de resolução não tem "fundamento".

Conforme explicou o edior de Economia da TVI, Paulo Almoster, "neste momento, a pressa parece ser arranjar uma solução até ao final deste ano".

"A partir do dia 1 de janeiro há novas regras na banca europeia que implicam que uma eventual resolução um banco, decidida a nível central, tenha também um custo para os grandes depositantes de uma instituição financeira e, por isso, a partir do início do ano há a possibilidade de, intervindo num banco, os depósitos acima dos 100 mil euros serem chamados a pagar também o ‘buraco’ que um banco tenha nessa altura", adiantou.


Mas há ainda outra questão: "Neste momento, o Banif é um banco que pertence, na suma maioria ao Estado (60% do capital) e, por isso, não há como fugir a uma decisão política sobre este caso".


“Quando o Estado injetou dinheiro no Banif, quer fazendo empréstimos especiais (Coco’s), mas também com a injeção de 700 milhões de euros no capital do banco, o que é que aconteceu? Esse investimento no Banif foi assumido no défice de 2013. Acontece que a Comissão Europeia considerou que para efeitos de Procedimentos por Défices Excessivos, isso para cálculo do défice e eventuais penalizações não contava, uma vez que era suposto que esses 700 ME fossem recuperados pelo Estado até 2017 com lucro, com mais-valias, com rendimento desse dinheiro. Agora, não havendo essa possibilidade e não podendo o Estado recuperar esses 700 ME, a verdade é que a Comissão Europeia pode obrigar a refletir nas contas aquilo que deixou passar na altura”.

Neste momento, os cenários possíveis acarretam prejuízos: "O prejuízo máximo são esses 700 ME, mais os 125 ME de um empréstimo especial que o Estado fez ao Banif e que deveria ter sido reembolsado até ao final do ano passado e não foi. E esse dinheiro, havendo qualquer solução, terá que ser assumido como custo orçamental e entra no déficedeste ano, provavelmente. Portanto, o atual Governo dirá que a culpa é do Governo anterior", concluiu. 


O Governo garante que a alienação do Banif está em curso, ao mesmo tempo que deposita confiança no sistema financeiro.